É impossível falar sobre direitos sem falar também sobre educação, essa ferramenta tão potente que transforma realidades e nos possibilita ir mais longe. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelas populações mais vulneráveis, a educação segue sendo a forma mais eficaz de ampliar oportunidades e garantir o exercício pleno da cidadania.
Ainda caminhando para que a educação atinja a equidade, o Brasil tem conseguido bons resultados nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, o país tinha uma taxa de analfabetismo de 5,3%, a menor da série histórica iniciada em 2016, e a proporção de pessoas de 25 anos ou mais que terminaram a educação básica obrigatória no país chegou a 56,0% em 2024, também atingindo o menor percentual da série. Esse número é um indicativo de como os programas educacionais têm feito a diferença, mas também nos faz pensar sobre as mudanças que ainda devem ser feitas para uma educação mais inclusiva e de qualidade.
Muitas famílias atendidas pelo IC têm demandas na educação que envolvem principalmente a inclusão nos ambientes escolares, mas muitas mães também encontraram nos estudos uma forma de cuidarem de si mesmas e pensar em novas possibilidades de vida.
Mães que encontraram um caminho na educação
A Érica é mãe de duas meninas, e tem uma história na qual a educação também é protagonista. Ela não conseguiu concluir o ensino médio quando ainda era adolescente mas, já adulta, fez a conclusão por meio do EJA (Educação de Jovens e Adultos). Dali pra frente, não parou mais de estudar, concluiu a graduação em Direito ao mesmo tempo que estudava Processos Gerenciais e, hoje, faz pós-graduação na área de Departamento Pessoal e Recursos Humanos, junto com a terceira graduação em Segurança da Informação.
Com um currículo inspirador, ela conta que os programas de inclusão na educação como o EJA e o FIES (Financiamento Estudantil), foram muito importantes para que ela conseguisse continuar estudando. Hoje, ela agradece por ter feito todos os cursos que fez e que a levaram a ter uma vida melhor. “A educação, para mim, se resume a basicamente todas as conquistas que eu tenho”, reforça.

Érica na formatura de Direito.
A Danielly, também mãe de dois filhos, viu no EJA uma forma de concluir os estudos e, em 2026, vai terminar o ensino médio. Ela conta que a experiência tem sido transformadora, especialmente pelo contato com outros alunos, e valoriza muito essa fase da vida: “o estudo não é uma perda de tempo, e sim ganho de conhecimento”.
Mesmo enfrentando os desafios da maternidade, ela almeja fazer uma faculdade ou um curso técnico para adquirir mais conhecimento, algo que preza bastante. “A educação abre portas, portas de trabalhos, conhecimentos, educação, cursos profissionalizantes e até mesmo uma faculdade”, pontua.

Danielly (de amarelo) e os colegas do EJA.
Sendo duas mães atípicas, a Érica e a Danielly passaram por dificuldades semelhantes na jornada educacional. Ambas tiveram que conciliar a escola e a faculdade com os cuidados com os filhos e, felizmente, puderam contar com uma rede de apoio. Mas facilidades como o ensino noturno e a educação a distância (EAD) também foram importantes para que elas continuassem estudando.
As duas valorizam muito os programas que possibilitaram as oportunidades de estudo para elas. E consideram que deveriam criar mais projetos de permanência, para que as mães consigam estudar sem enfrentar tantas barreiras.
Políticas públicas devem garantir a equidade
Garantir que a educação seja de qualidade para todos é, sobretudo, um dever do Estado. No Instituto C, apoiamos as famílias para que seus direitos educacionais sejam respeitados — da acessibilidade escolar ao transporte adequado. Cada política pública é uma forma de garantir que todos consigam aprender. “Elas reduzem barreiras estruturais, fortalecem a permanência escolar e promovem equidade, tornando possível que todos tenham acesso a oportunidades de aprendizado e desenvolvimento integral”, explica Fabiana Ribeiro, pedagoga do Instituto C.
Organizações da sociedade civil e a própria comunidade também são fortes aliadas para que a educação seja plena. Todos devem atuar como uma extensão da escola, enfrentando as vulnerabilidades emocionais, psicológicas e socioeconômicas que afetam crianças e adolescentes. Quando esse esforço é articulado ao Sistema de Garantia de Direitos, a rede de proteção e apoio se fortalece, criando condições para que a escola possa se dedicar plenamente à sua missão principal: promover o ensino e a aprendizagem de qualidade.
Lualinda Toledo, pedagoga e supervisora técnica do IC, reforça o quanto devemos nos atentar a educação que queremos conquistar enquanto sociedade: “a educação que temos está distante da educação que desejamos. Se não valorizarmos o que já foi construído e não lutarmos pelo que desejamos, jamais alcançaremos, nem como sociedade, nem como indivíduos”.
Programas de acesso à educação
Vale também reforçarmos os programas de continuidade e ingresso à educação já em andamento no Brasil, e que tem feito muita diferença na vida da população. Vamos conhecer alguns deles:
- Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos): é uma prova direcionada a jovens e adultos residentes no Brasil ou no exterior que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos em idade própria, seja no ensino médio ou fundamental.
- EJA (Educação de Jovens e Adultos): essa é uma modalidade da Educação Básica que permite ao estudante retomar e concluir os estudos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em poucos anos.
- ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio): é uma prova avaliativa do desempenho escolar dos estudantes após a conclusão do ensino médio, e que também possibilita o acesso ao ensino superior.
- SISU (Sistema de Seleção Unificada): é uma ação do Governo Federal, desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC) que tem como objetivo democratizar o acesso a Instituições Públicas de Educação Superior (IES) de todo o país.
- Prouni (Programa Universidade para Todos): oferta bolsas de estudo integrais, que corresponde ao valor total da mensalidade do curso, e parciais, que corresponde a 50% do valor da mensalidade do curso, em universidades privadas.
- Fies (Financiamento Estudantil): programa que concede financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos.
A educação no IC
Para as mães que estudam, como a Érica e a Danielly, essa é uma forma de ter também mais autonomia financeira e também de conhecer mais os próprios direitos e deveres. Elas se tornam também uma referência para os filhos, e contam que não deixam de incentivá-los a estudar e aprender a cada dia mais.
No Instituto C, as áreas de pedagogia e geração de renda são as que mais atuam no contato com as mães para que elas possam seguir suas jornadas nos estudos e também conseguir que os filhos estudem com dignidade. “A área de pedagogia fortalece a participação das famílias na vida escolar, garante acesso a oportunidades de desenvolvimento integral e faz da educação um instrumento de inclusão, cidadania e transformação social”, reforça Fabiana.
“Orientamos e encaminhamos a família, realizando, quando necessário, contato com a escola, órgãos públicos e demais serviços da rede para auxiliar na efetivação dos direitos. Fortalecer, orientar e acolher as famílias é o principal objetivo do nosso trabalho”, conclui Lualinda.



