Categoria: História de Mulheres

História de Mulheres

O direito à autoestima das mulheres negras

O dia 25 de julho, há mais de trinta anos, carrega consigo um significado importante: é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Essa data foi criada em 1992, quando mulheres negras de diferentes países se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, no 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas.

A mobilização deu origem à Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, criada como um espaço de articulação política, reflexão, intercâmbio e denúncia das desigualdades produzidas pelo racismo e pelo sexismo. Foi nesse mesmo contexto que a Rede instituiu o 25 de julho como uma data de reconhecimento da existência, lutas e contribuições das mulheres negras do continente. Em 2024, a data foi oficializada pela ONU como Dia Internacional das Mulheres e Meninas Afrodescendentes.


Você sabia?

Desde 2013, esse mês é chamado no Brasil de Julho das Pretas. O movimento foi criado pelo Instituto Odara na Bahia e, a cada ano, tem ganhado novas proporções. Para saber mais, leia em nosso blog clicando aqui.


Direito à autoestima historicamente negado

As barreiras que mulheres negras enfrentam, no Brasil, para terem seus direitos garantidos não são de hoje. Desde os primeiros séculos de colonização, europeus privaram pessoas de diversos povos africanos de se reconhecerem enquanto seres humanos, escravizando-as e minando assim sua autoestima. A “estima” nunca era para si próprio, mas sempre direcionada aos senhores brancos.

Desde os navios negreiros, a sociedade buscou minar de diferentes maneiras a autoestima de pessoas negras, afinal, sua autovalorização seria um risco a um sistema pautado em sua dominação. Condenou-se a fé, cultura, beleza, hábitos e idiomas africanos, para exaltar o que vinha da Europa. Tornaram a autoestima um sentimento branco.

Mesmo após a abolição, a estrutura social brasileira continuou dificultando, em muito, a autoconfiança dessas populações. Se alguém não tem o direito nem de ter moradia, alimentação saudável e trabalho digno, como encontrará condições favoráveis para refletir sobre si e enxergar suas potências?

E agora, séculos mais tarde, segue sendo obrigação do Estado reparar todos os direitos que foram retirados dessas pessoas. Entre eles, o direito à autoestima.

Ajustei a repetição e tornei a passagem entre os parágrafos mais contínua:

Aqui no Instituto C, entendemos que o fortalecimento da autoestima é um passo primordial para a conquista da autonomia de cada família atendida. Compreendemos também que esse processo pode ser ainda mais desafiador para pessoas negras, diante de injustiças históricas cujos efeitos permanecem presentes em uma sociedade ainda marcada pelo racismo.

Essas consequências seguem sendo muitas vezes ignoradas, enquanto as violações produzidas pela escravização e pelos séculos de exclusão ainda não foram totalmente reparadas. Por isso, essa reflexão ganha especial relevância em nossa atuação, já que as mulheres negras representam a maior parte do público que acompanhamos.

 

O que é autoestima?

Autoestima é, segundo a definição do dicionário Michaelis, “o sentimento de satisfação e contentamento pessoal que experimenta o indivíduo que conhece suas reais qualidades, habilidades e potencialidades (…)” Ou seja, é a qualidade de quem se valoriza e está satisfeito com seu modo de ser.

Segundo Noaly Avenoso, psicóloga da equipe técnica do Instituto C, a autoestima engloba tudo, desde as relações sociais até a maneira como a pessoa se sente consigo mesma. “Ela não envolve apenas as inseguranças e pressões sociais que todo mundo tem, principalmente nós, mulheres. Vai além disso: passa pelo cuidado e pelo autocuidado.”

 

A autoestima vai muito além da questão da autoimagem. Não é sobre se achar bonita ou feia. Atendendo majoritariamente mulheres, eu vejo muito essa dificuldade, por exemplo, de olhar para aquilo que elas são capazes de fazer. Principalmente entre as mulheres pretas, que aprenderam desde cedo a apenas seguir a vida”, explica Suellen Claudino, psicóloga técnica do IC.


Há, portanto, inúmeras maneiras para alguém fortalecer a autoestima. Pode ser ao enxergar a beleza em seu próprio corpo, mas também ao
reconhecer a própria humanidade. “O direito ao cansaço é uma forma de fortalecer a autoestima”, diz Noally. Isso porque, quando uma mãe negra e periférica afirma que não dá conta de tudo, ela vai contra a imagem sobrenatural que a sociedade constrói dessa mulher “guerreira e imbatível”.

 

Há 20 ou 30 anos, se você tinha cabelo crespo, você tinha ‘cabelo duro’. Sua obrigação era alisar. Você só era bonita se fosse branca. Então, não é que uma mãe preta não ensinou sua filha preta a se achar bonita. É que essa mãe preta não tinha esse recurso. Ela aprendeu com as antepassadas: ‘Se o seu cabelo é crespo, passa o ferro’”, comenta Suellen.

 

A autoestima no trabalho

Outro ambiente em que a autoestima pode ser desenvolvida é no trabalho, ao se perceber o impacto e qualidade do serviço prestado. Foi o que aconteceu com Cristiana, 52 anos, atendida no Polo Zona Norte do IC, em São Paulo (SP). Cris é diarista, faxineira e conta que, por muito tempo, não dava o devido valor àquilo que fazia. Além disso, hoje percebe a quantidade de vezes que sofreu racismo nas casas em que trabalhava.

Em uma delas, passou seis anos sendo distratada semanalmente e ouvindo ofensas racistas — chegou inclusive a ser acusada, injustamente, de ter roubado um par de brincos. “Toda quinta-feira, me dava dor de estômago, me dava urticária, me dava tudo. Até que teve um dia em que eu falei: ‘Não, agora chega’”, conta.

Hoje Cris tem uma maior percepção do bem-estar que diaristas e faxineiras causam à vida das pessoas. Ela percebeu que é uma prestadora de serviços e que as famílias para quem ela trabalha são seus clientes. Por isso ela organizou sua agenda, fez uma tabela de preços e já não aceita ter seu trabalho reduzido. 

 

O valor da minha diária como diarista é um, e o da faxina [trabalho mais pesado] é outro. E eu não abaixo o preço: se a pessoa não puder pagar o que eu estou pedindo, ela vai procurar outra profissional. Antes, eu negociava meu trabalho, mas aprendi isso há pouco tempo: a me valorizar,” conta com orgulho.

 

Três histórias sobre autoestima

Em nossos polos, há um fluxo grande de famílias que chegam com novas histórias e desafios próprios. Quase sempre, o trabalho de nossa equipe técnica passa por apoiar o fortalecimento da autoestima das representantes familiares em diferentes aspectos e possibilitar um espaço de trocas entre elas, para que possam compartilhar e se identificar com as vivências umas das outras. Reunimos aqui uma coletânea de histórias em que pudemos acompanhar de perto a construção da autoconfiança de mulheres negras.

 

“Tudo é construção social e o coletivo é uma resposta para o fortalecimento da autoestima. Então em nossos grupos, elas se fortalecem muito, porque compartilham histórias, com uma condução profissional, e saem daqui amigas”, diz Noally.

 


1) A vida depois do infarto

Entre março e abril deste ano, *Eduarda (49 anos) sofreu um infarto e permaneceu internada por três ou quatro dias. Durante esse período, percebeu a dimensão do papel que exercia dentro de casa. A família conseguiu realizar as tarefas básicas, mas teve dificuldade para manter a organização e a dinâmica cotidiana. Eduarda pôde então reconhecer que era um dos pilares da família e que sua presença tinha uma importância que ela própria não calculava.

2) Passatempo pra quem?

Durante um dos atendimentos no IC, *Amélia, de 46 anos, contou que sua mãe gostava de fazer pão e considerava essa atividade uma espécie de terapia. A família, por isso, procurava comprar os ingredientes necessários para que a mãe pudesse continuar fazendo algo que lhe proporcionava prazer. No entanto, quando a técnica do IC perguntou qual era a “terapia” daquela mulher, ou seja, qual seu passatempo predileto, ela travou e disse apenas: “Caramba, não sei!”

 

A mãe se esquece dela, perde totalmente a identidade. Ela acha que é apenas a mãe de alguém e deixa de se apresentar pelo próprio nome. Nas nossas rodas, a gente sempre pede que elas se apresentem e digam o próprio nome. Muitas respondem: ‘Eu sou fulana, mãe de fulano’. E a gente nunca pede para que elas falem isso”, aponta Noally.

 

3) Que brincos bonitos!

*Laura, 47 anos, nunca havia usado brincos. Quando era criança, sua mãe não permitiu que ela furasse as orelhas por uma questão ligada aos costumes familiares. Um dia, ela recebeu um par de brincos pequenos como lembrança de uma atividade realizada em sua comunidade de fé. Decidiu usar os brincos e recebeu elogios de amigas, o que a deixou muito feliz! A partir daí, a mulher passou a usar brincos cada vez maiores e mais marcantes.

*Nomes fictícios

História de Mulheres

Empoderamento para as mulheres: empreendedorismo nas periferias tem transformado a vida de muitas mães

O empreendedorismo entre as mulheres da periferia cresce cada vez mais e mostra o quanto esse formato de trabalho tem transformado as famílias. O público feminino aposta em diferentes áreas para criar seu próprio negócio, especialmente nas regiões em que vivem, onde as demandas por serviços passam pelos próprios bairros. Só em 2024, as mulheres representavam 34% de quem empreendia em setores como serviços, comércio e tecnologia no país todo. Já nas favelas, as mulheres lideram 60% dos empreendimentos, de acordo com pesquisa do Investe Favela.  

Para as mães, o empreendedorismo traz a oportunidade de serem donas do próprio horário de trabalho, o que é importante especialmente para as que cuidam de crianças atípicas. No Instituto C, muitas mães empreendedoras dividem a vida entre o cuidado com os filhos e o trabalho de forma autônoma. Apesar dos obstáculos, elas conquistam a própria independência financeira e também resgatam a autoestima a partir do que fazem em casa. Com isso, a família também se torna mais fortalecida a partir dos acessos que a mãe passa a ter. 

Desafios de empreender nas periferias

Mesmo com o crescimento do empreendedorismo entre as mulheres das periferias, muitas delas ainda encontram barreiras que dificultam o crescimento profissional. Segundo nossas analistas de renda Carol e Giovana, uma das maiores dificuldades enfrentadas por elas é o acesso limitado a recursos financeiros, principalmente para as empreendedoras nas áreas de alimentos e beleza, que precisam investir para ter resultados positivos. 

A falta de acesso ao conhecimento necessário para regularizar um negócio também é algo que impede o crescimento dessas mulheres. Por isso, um dos nossos trabalhos é levar informação para que elas conheçam seus direitos enquanto empreendedoras, seja por meio da abertura do MEI ou outras iniciativas do poder público. 

Além disso, em áreas periféricas o empreendedorismo é muito presente, o que reflete também em uma competição acirrada entre os empreendedores. Isso exige que as mulheres busquem novas formas de desenvolver seus trabalhos para se destacar nessa “vitrine” de negócios e conseguir atingir seus públicos. 

Outro ponto importante a ser lembrado é que muitas mães empreendem por necessidade, nem sempre por vontade, e isso faz com que elas não se enxerguem como empreendedoras. Essa necessidade vem de um lugar onde elas precisam de uma renda e ao mesmo tempo de flexibilidade. “Não é de um viés empreendedor, é de um viés da vulnerabilidade”, explica Giovana. 

Geração de renda no IC

Nossa área de renda é a responsável por ouvir essas mães empreendedoras, e muitas histórias boas passam por aqui. Os negócios vão desde a venda de bolos, até a criação de brinquedos pedagógicos por meio do artesanato e a decoração de unhas como nail designer. Muitas dessas mulheres conseguem transformar um hobby em um trabalho remunerado. 

“O trabalho da renda no Instituto C é levantar com a família estratégias e possibilidades sobre saúde financeira e ampliação de renda”, explica Giovana Santos, analista de renda do Instituto. Com a orientação das nossas técnicas, as mães compartilham suas experiências e também recebem orientação sobre a relação do MEI, benefícios de transferência de renda, organização e ingresso em cursos técnicos e ensino superior.

Para a Carol Fontes, também analista de renda do IC, essa vontade de empreender e se mobilizar para fazer a sua própria renda, é por conta das responsabilidades que elas têm de uma rotina que elas precisam de flexibilidade. Isso porque essas mulheres muitas das vezes são as únicas pessoas que podem cuidar de outras pessoas das suas famílias.

Mães que viram no empreendedorismo uma oportunidade

A Nathalia Stephanie mora com a filha e é um exemplo de mulher que uniu um sonho com o trabalho. Ela fez um curso de manicure no IC (em parceria com a Acciona) e, a partir dele, despertou um olhar para essa área que hoje é a sua paixão e também sua fonte de renda. Em meio a um mercado com muitas profissionais, a Nathalia precisou buscar um diferencial para se conectar com as clientes, que foi por meio do atendimento à domicílio. Assim, ela conseguiu chegar a mais clientes no bairro em que mora, até o momento que está hoje, onde atende no próprio estúdio em sua casa e também dá cursos. 

Ao elevar a autoestima de outras mulheres, a Nath enxergou na área da beleza uma possibilidade de transformar a vida de sua família e, assim, também mudar a forma que ela se enxerga como mulher. “Às vezes a gente pensa que é uma unha, mas é sempre mais que isso. A minha profissão me deu fé e esperança, e eu levo isso pras minhas clientes”, reforça.

Assim como Nathalia, a Fátima Regina também mora com a filha e encontrou no cuidado com a beleza das mulheres uma forma de empreender como cabeleireira. Mas, durante a pandemia ela se viu em um cenário onde precisava se reinventar, já que os salões precisaram fechar e o trabalho foi diminuindo. Foi assim que ela começou um novo negócio: a venda de livros por meio de uma plataforma digital. 

A Fátima sempre gostou de ler e, como os irmãos também empreendem vendendo livros, ela pensou que essa seria uma ótima opção para complementar a renda. Hoje, ela tem um acervo com cerca de 2.000 livros – todos recebidos por doação – e considera que começar a vender livros trouxe para ela novas perspectivas de conhecimento, já que ela precisa saber um pouco de cada assunto. 

Novas perspectivas de empreendedorismo 

O conhecimento e a vontade de criar coisas novas foi o que motivou a Vanessa Ferreira a fazer do artesanato sua fonte de renda. Vanessa é mãe de dois filhos e sempre gostou de usar a criatividade para fazer itens que vão desde bolos decorativos até brinquedos pedagógicos. Em seu ateliê em casa, ela consegue conciliar o trabalho com a criação dos pequenos. 

Além dos brinquedos, hoje a Vanessa também vende mini donuts que ajudam a ter uma renda extra para contar. Ela considera que fazer as artes também é uma forma de ocupar a mente com algo que gosta e, em contrapartida, também consegue cuidar mais de si. “Nessa hora [que estou trabalhando] não é só a Vanessa mãe das crianças, também consigo ser eu, ter minha utilidade e colocar para fora as ideias”, explica. 

Já a Natália Alves é mãe de duas meninas e empreende junto com o marido. Eles vendem roupas e ela também apostou na confecção de bolos e doces para conseguir criar as filhas. Ela sempre gostou de empreendedorismo e diz que sonha em abrir o próprio negócio um dia, para assim conseguir crescer ainda mais. 

As vendas fazem parte da sua vida há muitos anos, e hoje ajuda também a ter mais flexibilidade para cuidar das crianças e até mesmo levá-las junto nos dias em que é necessário. No final, as mães atípicas precisam de um trabalho que se adequa à rotina delas e das crianças. 

“A sensação é de empoderamento”

O empreendedorismo também tem fortalecido entre essas mães e criado um senso de comunidade que vai além dos negócios. No nosso dia a dia, vemos o quanto elas conseguem trocar experiências, construir uma rede onde consigam se acolher para, assim, crescer ainda mais enquanto empreendedoras. 

No Instituto C, muitas mães atendidas lidam com questões na maternidade que envolvem a saúde dos filhos, e acabam se deixando de lado em meio a correria do dia a dia. Ter o próprio negócio dá a elas uma visão de mundo diferente e as faz enxergarem a si mesmas para além dos filhos, mas também como mulheres que também precisam de cuidado. “Muitas das mães atípicas não tem companheiro, então precisam acreditar que o potencial delas vai além e que elas podem viver”, reforça Natalia.

Mesmo com as dificuldades, as mulheres empreendedoras se sentem realizadas e acreditam que esse é um caminho possível para muitas mães. A Fátima reforça isso: “empreender é um abismo, mas para mim é mais importante ter a minha liberdade de tempo e de poder fazer as coisas quando eu quero. Não é fácil, mas vale a pena o custo”. 

História de Mulheres

Histórias de mulheres (Graziela e Mariane) – Episódio 3

De tempos em tempos, assistimos ao encerramento de ciclos no Instituto C, e é nesses momentos que somos convidados a olhar para trás e refletir sobre as trajetórias e conquistas de muitas das mulheres que passam por nós – como Graziela e Mariane, duas forças que deixaram uma marca conosco.

Para celebrar suas realizações, lançamos a série “Histórias de Mulheres” em nosso blog, destacando as jornadas singulares daquelas que, por meio de dedicação e força de vontade, superaram desafios e alcançaram seus objetivos, tornando-se fontes de inspiração para outras.

Por dentro da istória de Mulheres – Episódio 3

Graziela e Mariane, atendidas pela psicóloga Claudete Marcolino e pela assistente social Franciele Fernandes, respectivamente, percorreram seus caminhos com determinação e coragem. Sob a orientação atenta do Instituto C, elas cultivaram autonomia, resiliência e reforçaram sua resolução para enfrentar os percalços da vida.

Assim como Milena e Kelly (personagens do nosso episódio 2), Graziela e Mariane, estão agora embarcando em novas jornadas, prontas para os próximos capítulos de suas vidas. Conheça agora a inspiradora história dessas mulheres:

Graziela Duarte de Araújo

Graziela chegou ao Instituto C em fevereiro de 2022 ainda em estado de luto pela perda de seu marido há 11 anos. Juan, um de seus filhos, estava em processo de atendimento médico que, posteriormente, foi identificado como um distúrbio cognitivo e alergia à proteína do leite. Ao longo do tempo, observamos questões similares com outro filho, que também recebeu um diagnóstico comportamental.

Os atendimentos foram centrados na conscientização da necessidade de autocuidado, resultando em encaminhamentos para atendimentos e cuidados da saúde mental. Gradualmente, notamos uma evolução na aceitação por parte de Graziela, compreendendo a importância do fortalecimento dos vínculos afetivos  reconheceu  a necessidade dese aproximar dos filhos através da comunicação e do apoio ”, explica Claudete.

A aceitação do diagnóstico relacionado à sua saúde mental levou-a a buscar atendimento psicoterapêutico, promovendo uma mudança em seu comportamento. Graziela contou que, com os atendimentos, pode se desfazer da crença de que mulheres não conseguem batalhar por um futuro melhor. 

O Instituto C, para mim, foi um presente. O IC olhou para mim como um ser humano, como pessoa, como membro da família”, diz Graziela. 

Para ela, com os atendimentos, ela pode colher frutos bonitos em todos os aspectos de sua vida. “Me ensinou a continuar, persistir pela minha casa, acreditar mais em mim, nas minhas crenças e no meu potencial”, afirma.

E, a partir da compreensão do contexto que abrange a família e a maneira de lidar com os atravessamentos deste cenário, Graziela foi dando abertura para pequenas mudanças possíveis em sua dinâmica familiar, conquistando cada vez mais sua autonomia e bem-estar.

O Instituto C me mostrou uma dimensão de cores que eu não conseguia enxergar, que estava à prontidão da minha visão, mas eu não via. Então, eu continuo dimensionando as minhas pequenas sementes onde eu passo que até o modo de eu me expressar eu consigo visualizar aquilo que o IC deixou em mim: plantas boas, raízes boas, frutíferas terras, e que eu posso fazer um lindo jardim”, finalizou.

Mariane dos Santos Pereira

A vida é um conjunto de histórias, de vivências e experiências. E a de Mariane é repleta de união e determinação. 

Mãe de três filhos, ela chegou ao Instituto C em função de seu filho do meio, o Enzo, diagnosticado com autismo. “Ela sempre demonstrou muita habilidade em articular suas necessidades, dedicando-se incansavelmente à promoção da autonomia dele”, diz Franciele.

Em uma de nossas rodas de conversa, ela disse que nunca pensou em colocar Enzo em uma escola especial, pois ela sempre acreditou que ele deveria frequentar a escola regular como forma de inclusão, e desde que ele iniciou na escola, ele vem se desenvolvendo muito bem, principalmente na interação com outras crianças”, celebra a assistente social.

Com os direcionamentos e articulações promovidas pelos atendimentos do IC, Mariane foi conquistando cada vez mais os direitos de seu filho, assim como enriqueceu a experiência e troca com outras mulheres.

“O Instituto C foi maravilhoso para mim. Eu vou sentir muitas saudades”, diz Mariane. 

Para ela, os auxílios conquistados e os atendimentos fizeram diferença em sua vida. “Nós, mães atípicas, passamos por tantas coisas e às vezes queremos carregar o mundo nas costas, e ninguém entende. No IC, todo mundo me entendia. Passei momentos muito bons com os atendimentos e rodas de conversa. Foi um período muito gratificante.”, celebra.

Explore os outros episódios:

Ou ainda, clique aqui e entenda melhor sobre a jornada das famílias atendidas dentro do Instituto C! 

História de Mulheres

Histórias de mulheres (Milena e Kelly) – Episódio 2

De tempos em tempos, ciclos se encerram no Instituto C e nos fazem lembrar de olhar para trás e enaltecer as histórias de conquistas dessas famílias. Pensando nisso, criamos a série “Histórias de Mulheres” no blog do IC, que traz memórias daquelas que ainda estão com o Instituto, ou já finalizaram seus ciclos, e que com força de vontade alcançaram seus objetivos e inspiram outras a fazerem o mesmo.

Milena e Kelly, ambas atendidas pela pedagoga Lualinda Toledo, são algumas das mulheres que agora seguirão seus caminhos sem os nossos atendimentos, mas com autonomia, coragem, resiliência e determinação fortalecidas aqui dentro.

 “Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida” (Maria, Maria – Elis Regina) 

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Milena Valentim Souza

Milena e seu filho Luã começaram seus atendimentos no Instituto C em julho de 2021, quando foram encaminhados por uma Unidade Básica de Saúde.

Luã tem o diagnóstico de paralisia cerebral, microcefalia e infecção por citomegalovírus – todos que já haviam sido identificados durante a gestação. Devido a atrasos intelectuais e motores, ele tinha pouca interação social.

Ela, formada em Turismo, parou de trabalhar para se dedicar a cuidar de Luã. Emocionalmente abalada,  na época, enfrentava questões em seu relacionamento e  contava apenas com o suporte de sua mãe e avó. No entanto, ao longo do tempo, pudemos observar o potencial admirável de Milena.

Milena se mostrou determinada em seguir nossas orientações, buscando formulários e relatórios médicos necessários, o que possibilitou a conquista do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e a obtenção dos medicamentos necessários para o cuidado do pequeno. Além disso, fizemos encaminhamentos para parceiros que proporcionaram tratamentos especializados, como o cuidado da visão e o fornecimento de um aparelho para melhorar a postura de Luã.

Com perseverança e dedicação, Milena obteve muitos avanços e se fortaleceu. Ela se mostrou cada vez mais independente e sem precisarmos orientá-la, já corria atrás das soluções necessárias por conta própria. Como mãe, demonstrou um engajamento exemplar em garantir o melhor para o desenvolvimento de seu filho.

Mesmo que ele ainda não estivesse na idade obrigatória para frequentar a creche, incentivamos a ideia de educação inclusiva, e Milena, resistente no início por medo e insegurança, passou a entender a importância desse ambiente para o crescimento social e cognitivo de seu filho.

Em um período de tantas tristezas, a melhor coisa que me aconteceu foi conhecer o Instituto. Antes de chegar ao IC, eu me sentia perdida e não reconhecia nosso lugar no mundo. Aqui, ouvi tantos depoimentos que me fortaleceram e me esclareceram. Eu só tenho a agradecer”, disse Milena no dia do encerramento de seus atendimentos.

Kelly Cristina Silva do Prado

Kelly chegou à nossa instituição emocionalmente abalada. Seu filho Arthur nasceu com síndrome de Down, uma surpresa para ela – que já enfrentava o luto pela perda de outro bebê, que faleceu aos seis meses de idade devido a uma síndrome rara. A gestação de Arthur também foi considerada de alto risco, e, embora tenha sido acompanhada, a síndrome de Down não havia sido diagnosticada previamente, o que trouxe um novo desafio para ela.

Eles chegaram até o Instituto C por indicação de uma outra família, que conhecia nosso trabalho. Ao chegar, Kelly já buscava uma vaga na APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, e obteve outras conquistas durante o tempo que ficou conosco, como o apoio fonoaudiólogo, o Auxílio Brasil e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para Arthur.

Além disso, compreendemos que Kelly precisava de apoio psicológico externo, e realizamos o pedido para que ela pudesse ser acompanhada por um profissional especializado. Nossos esforços se estenderam não apenas a Arthur, mas também ao seu filho mais velho, Cauã, que passou a participar de conversas e atividades adolescentes, graças a um olhar mais integral para a família.

 Há dois anos, quando eu cheguei, eu estava em um momento muito difícil psicologicamente… Eu chorava em quase todos os atendimentos. O Instituto me auxiliou em tudo – do psicólogo, tendo alguém de confiança para conversar, ao financeiro, nas orientações para as conquistas dos direitos que eu possuía. Foi muito bom esse período, foi uma experiência muito, muito boa”, celebrou Kelly também em seu encerramento.

São apenas duas narrativas emocionantes e inspiradoras dentre inúmeras que atravessam o Instituto C, enchendo-nos de orgulho e sensação de dever cumprido. Ansiamos pelas próximas histórias que virão!


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História de Mulheres

Histórias de mulheres (Elenilze e Anggie)

Todos os anos passam pelo Instituto C pessoas inspiradoras, cuja força de vontade é admirável e a luta por uma vida melhor é exemplo.

Os projetos Cidadania em Rede e PAF visam, inclusive, ampliar cada vez mais a autonomia dessas famílias e fortalecer a autoestima dessas mulheres.

As histórias são tão impactantes que decidimos, então, criar um espaço aqui para contar mais detalhes sobre algumas delas. A série “Histórias de Mulheres” vai trazer memórias daquelas que ainda estão com o Instituto, ou já finalizaram seus ciclos, e que com determinação alcançaram seus objetivos e inspiram outras a fazerem o mesmo.

“Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira, absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas…” (Mulher – Erasmo Carlos)

Histórias de mulheres

Elenilza Neves dos Santos

Elenilza chegou ao Instituto C em 2021 após indicação de uma nutricionista da UBS Tiradentes. Desde o início, se revelou uma mulher batalhadora dentro dos seus ciclos de atendimentos no PAF. Sem uma rede de apoio e uma base familiar que a apoiasse, ela lutava por melhores condições de saúde para a sua filha, que foi diagnosticada com déficit de atenção, hiperatividade e compulsão alimentar. 

Dividiu conosco suas lutas, dores, medos, sonhos e conquistas. Precisava de auxílio para entender, buscar diagnóstico certo e a medicação ideal para sua filha. Com a orientação necessária, conquistou o tratamento para sua filha e também o BPC, o benefício de prestação continuada, que era seu direito.

Técnica de enfermagem, Elenilza foi sensível ao compreender o diagnóstico da filha muito antes que os médicos e profissionais da área – e não desistiu em nenhum momento

Elenilza se mostrou uma mulher forte e incansável neste ciclo de atendimento no PAF, deixando o projeto mais fortalecida, confiante e feliz para seguir com a sua vida e a de sua filha. 

“Cheguei ao Instituto C destruída em vários sentidos da minha vida. Me via sem chão e, aos poucos, com a ajuda das meninas, fui me fortalecendo e superando as dificuldades. Hoje, sei que ainda não está tudo perfeito, mas está tudo bem o suficiente para eu cuidar bem de mim e também de minha filha”, diz Elenilza – que também afirma que criou um vínculo especial com Lualinda Toledo, técnica que realizava seus atendimentos. “Nos entendíamos apenas com um olhar. Só tenho a agradecer todo o cuidado e acolhimento que tive com todas da equipe”, celebra.

Anggie Carolina

Histórias de mulheres

 A família de Anggie Carolina chegou até o Projeto Cidadania em Rede por indicação do Serviço Cavannis. Eles saíram da Venezuela para fugir da fome e da situação precária em que viviam. Primeiro, Anggie veio para o Brasil sozinha, depois de um ano e meio veio sua mãe Zulli de 56 anos, e depois de dois anos vieram suas filhas Nahomi de 10 anos e Germani de 19 anos, e sua neta de 03 anos.

Inicialmente, Anggie residiu em Roraima, mas foi auxiliada por uma instituição chamada Cáritas que pagou durante três meses seu aluguel, alimentos e ajudou para conseguir um trabalho, possibilitando sua vinda a São Paulo. Atualmente sua filha Germani e neta residem no Guarujá, e sua mãe reside no Rio Grande do Sul. Seguem em contato, mas não se veem com muita frequência.

Anggie chegou até o Cidadania em Rede com uma demanda nutricional significativa e com algumas alterações em seu quadro de saúde, com quadro Doenças Crônicas Não Transmissíveis resultado de uma alimentação imbuída em grande quantidade de frituras e hábitos alimentares em volta de sua cultura.

A princípio foi trabalhado suas questões alimentares, tendo o cuidado de aprimorar sua cultura e adaptar a uma rotina possível.

Hoje, Anggie consegue ter escolhas mais saudáveis e se sentir feliz com sua alimentação. Com as técnicas, ela compartilha suas compras em supermercados e suas refeições em casa – mostrando que tem aprimorado seus hábitos e aprendido com os atendimentos.

Essas são apenas duas histórias que emocionam e inspiram dentre as muitas que passam pelo Instituto C e nos deixam orgulhosos e com a sensação de missão cumprida. Que venham as próximas! ❤️


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