Rodas de Conversa

Roda de Conversa de julho foi sobre Morte e Luto

RODA DE CONVERSA SOBRE MORTE E LUTO NO INSTITUTO C CONVIDA ESPECIALISTAS EM CUIDADOS PALIATIVOS PARA CAPACITAÇÃO DA EQUIPE E AMPLIAÇÃO DOS HORIZONTES NO ATENDIMENTO ÀS FAMÍLIAS.

QUANDO A VIDA É MAIS IMPORTANTE QUE A CURA

Perguntas e silêncios cercam o tema da vida e seu fim, pois certamente é fácil notar que não fomos acostumados com o tema da morte. Nos atendimentos do Instituto C, precisamos lidar com a morte e o luto, já que o trabalho com as crianças portadoras de doenças crônicas e com suas famílias por vezes traz esse tema para a nossa realidade. É justamente para estimular reflexões e entendimentos, que a Dra. Ana Paula Santos, médica anestesista e especialista em controle da dor, juntamente com a Psicóloga e Psicanalista Leda Arruda Chaves, foram convidadas pelo Instituto C para contar um pouco sobre o trabalho dos cuidados paliativos e histórias que cercam o tabu da morte.

Os cuidados paliativos constituem um método de trabalho multidisciplinar que objetiva a melhoria da qualidade de vida de um paciente e seus familiares diante de uma doença que ameace a vida. Com pouco tempo de existência no Brasil e com muito caminho ainda a percorrer, também dentro do sistema de políticas públicas, o cuidado paliativo se coloca como tratamento complementar em alguns centros de excelência de atendimento médico, como a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É um trabalho para garantir, de todas as formas possíveis, que o paciente tenha qualidade de vida, sinta menos ou nenhuma dor física, encontre mais sentido para sua existência e adquira, por meio de uma construção em conjunto com a equipe, um entendimento único para sua situação corporal, emocional e, consequentemente, espiritual. Para Leda Chaves, é importante que o tratamento de cuidados paliativos leve em consideração os aspectos espirituais do paciente, respeitando e sobretudo escutando essas manifestações que fazem sentido para cada um.
São farmacêuticos, atendentes, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos, faxineiros, médicos, voluntários que formam a equipe de cuidados paliativos, e que de uma forma excepcional constroem uma verdadeira rede que atende famílias numa situação em que devem e precisam lidar com o tema morte de algum ente amado. Segundo Leda e Ana Paula, por se tratar de um atendimento mais humanitário, o trabalho com os cuidados paliativos pode manejar a verdade com a família e com o paciente de uma forma mais sensível e mais adaptada à situação específica e à idade do assistido.
A busca pela cura, que pode envolver métodos muitas vezes invasivos, dolorosos e ineficientes, cede espaço para um momento de olhar-se, olhar ao redor, compor diálogos com parentes e pessoas próximas que, numa situação fora dos cuidados paliativos, poderia passar sem chance de existir, de acontecer e que trazem um conforto para a família e para o paciente em um momento tão delicado da vida.
LUTO & RECOMEÇO
A verdade da morte só pode ser vivida na sua inteireza quando a realidade opaca do luto se impõe aos familiares e amigos da pessoa que parte. Aprendemos com a Dra. Ana Paula e com a Psicóloga Leda, que é preciso respeitar o momento de dor das pessoas que ficam e, mais do que isso, observar o espaço que cada caso, que cada família e cada ente vai precisar para lidar com essa nova situação. Melhor que palavras pré-concebidas é estar, enquanto profissional e ser humano, presente, inteiro, para a família que, de certa forma, irá perceber tal cuidado e amparo.
O recomeço pode acontecer mais rápido ou ser mais demorado, dependendo do caso, da pessoa, mas certamente será mais reconfortante para as famílias que possuem um acompanhamento respeitoso e acolhedor.
É nesse sentido que o trabalho dos cuidados paliativos, mais hospitalar, se encontra com os atendimentos realizados pelo Instituto C, pois a integridade social das famílias que vivem um luto depende da assistência atenta e humana. Para a Dra. Ana Paula, finalizando a roda de conversa, o trabalho do Instituto C “é de extrema importância [para as equipes de cuidados paliativos], que está desse outro lado, cuidando da parte que é de doença e de remédios”.
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Relatório de Atividades 2017

BAIXE O RELATÓRIO ANUAL DE 2017 E CONHEÇA MAIS SOBRE O TRABALHO DO INSTITUTO C E EXEMPLOS DE ATUAÇÃO DENTRO DO TERCEIRO SETOR
O Instituto C lança anualmente um relatório de atividades que apresenta os projetos, seus resultados e indicadores que contribuem para o avanço de dados e das pesquisas no universo do terceiro setor. O material aponta o desenvolvimento desses projetos e, consequentemente, as expansões e os novos aprendizados que ocorreram a cada ano.
Em 2017, por exemplo, pelo fato de passarmos a atender não só famílias de crianças e adolescentes com alguma doença crônica, e que estejam imersos em risco social, mas também as que possuem crianças necessitadas de apoio e auxílio em outras áreas, como educação, tivemos de cara o desafio de ampliar o leque de parceiros para novos projetos. A primeira ampliação se deu pelo novo projeto Educação em Rede, que não ao acaso possui “rede” no seu nome: o projeto recebe famílias encaminhadas por escolas públicas e estabelece a construção de uma verdadeira teia de conexão entre a escola, a família, o aluno, suas necessidades e rede de apoio.
Além do mais, 2017 foi um ano de premiações, já que o Instituto C foi eleito pela Revista Época e Instituto Doar como uma das 100 melhores ONGs do Brasil; e ganhador do Prêmio Recorrentona, do site Atados. Certamente, reconhecimentos como esses estão ligados àquilo que nos dá mais energia: os resultados obtidos com os nossos projetos. Apenas pela atuação do projeto PAF – Plano de Ação Familiar, fechamos 2017 com um acumulado de 509 famílias atendidas, o que representa aproximadamente 2.290 pessoas beneficiadas. E esse número só tende a crescer em 2018 e nos próximos anos!
Mas mais do que simplesmente números, os resultados que verdadeiramente nos motivam são histórias como a de Tatiana Silva Nunes, mãe atendida pelo Instituto C, que revela: “entrei no Instituto C com o coração ferido e muito aflita porque meu filho nasceu com muitos problemas e ninguém acreditava que ele iria sobreviver. Entrei porque precisava de leite, coisas caras. Mas é uma casa, é uma família de coração. Me trouxeram muita força, sabedoria e muito ensinamento”. Para nós, é gratificante vislumbrar a metamorfose da instituição, com uma nova estrutura física e ampliação de seu foco, porque trabalhar com o futuro das nossas crianças e famílias é escrever, no presente, histórias de superação e humanidade.
O Relatório de Atividades de 2017 está disponível para download: clique aqui e baixe agora mesmo.