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A importância de falar sobre o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil foi estabelecido em 28 de janeiro. Ainda no século XXI, percebemos a necessidade de reflexão e conscientização sobre como a questão histórica reverbera até os dias de hoje em nosso país.

Isso porque, de acordo com dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Brasil encontrou 2.575 pessoas em situação deplorável em  2022. Nesse mesmo estudo, no período de 2003 a 2022, as mulheres resgatadas representaram 5,73%. Já em 2021, foram 10,42% mulheres em situação de trabalho precário.

Aqui, vamos refletir um pouco sobre o passado histórico do Brasil, como essa escravização reverbera nos dias de hoje em nossa população e como a inclusão produtiva pode ser um dos caminhos para mudar esse cenário. Você vai encontrar:

28 de Janeiro: Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo foi marcado em 28 de janeiro para manter viva a memória do motorista Aílton Pereira de Oliveira e dos auditores fiscais do trabalho Nélson José da Silva, João Batista Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves. 

Em 2004, na cidade de Unaí, no noroeste de Minas Gerais, eles foram brutalmente assassinados por ordem de empresários insatisfeitos com as investigações sobre denúncias de trabalho escravo na região.

Assim, para marcar a luta contra a exploração humana no ambiente de trabalho, nasceu a Lei 12.064/2009, que instituiu o dia 28 de janeiro como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Essa data também coincide com o Dia do Auditor Fiscal do Trabalho.

A escravização no Brasil e os números atuais

O período da escravização, extenso e brutal, perdurou por mais de três séculos, iniciando-se com a chegada dos colonizadores portugueses no século XVI e persistindo até a promulgação da Lei Áurea em 1888, que oficialmente aboliu a escravidão. 

Durante esse tempo, milhões de negros foram trazidos para o Brasil como escravizados, sendo submetidos a condições desumanas, trabalhando principalmente nas plantações de açúcar, nas minas e nas propriedades rurais. Após a abolição da escravatura, o Brasil enfrentou desafios significativos na integração dos ex-escravizados à sociedade. 

A ausência de políticas efetivas de inclusão, aliada à persistência de preconceitos, contribuíram para a marginalização e a desigualdade persistente desta população. Essa lacuna na abordagem histórica repercute nos dias de hoje, principalmente nos locais de trabalho ocupados por pessoas negras. A prevalência dessas comunidades em subempregos contribui para uma maior vulnerabilidade social. 

Assim, e como resultado desse contexto histórico, vemos a predominância deste perfil no Instituto C. Isso tudo reverbera no lugar onde as pessoas negras trabalham nos dias de hoje. Sabemos e entendemos que elas ocupam a maior parte dos subempregos. Somado a isso, ainda temos a questão de as mulheres serem, em sua maioria, sozinhas, e ainda menos valorizadas”, afirma Lualinda Toledo, Pedagoga do Instituto C no Polo Centro. Para ela, a escravização moderna vende a ideia de que quanto mais você trabalha, mais você alcança seus objetivos – em troca, não tem quem cuide dos seus filhos.

Ainda de acordo com dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2022 foram resgatadas 2.575 pessoas em situação degradante. Dessas, 61,66% das mulheres autodeclaram parda, mulata, cabocla, cafuza, mameluca ou mestiça. Elas residiam em Minas Gerais (30,57%), 19,69% moravam na Bahia. Em São Paulo (16,58%), em Goiás (8,81%) e Maranhão (8,81%). 

A escravização moderna

Hoje, a escravização moderna assume diversas formas, abrangendo desde o trabalho forçado e tráfico humano até o trabalho infantil, condições precárias de trabalho, dívida por servidão, exploração sexual, restrição à liberdade de movimento e discriminação sistêmica. Combater essa realidade complexa exige esforços globais abrangentes, incluindo regulamentação eficaz, conscientização pública e a promoção de práticas éticas para garantir o respeito aos direitos humanos em todas as esferas da sociedade.

Lualinda enfatiza a conexão entre a escravização moderna e as mães que, por necessidade de trabalhar, enfrentam dificuldades para encontrar cuidado adequado para seus filhos. Isso resulta em cargas de trabalho exaustivas, afetando negativamente o tempo que as mães podem passar com suas crianças. A pedagoga relata casos de crianças próximas a máquinas em ambientes de trabalho, colocando em risco suas vidas devido à falta de alternativas para o cuidado infantil. A escravização moderna, para a mulher que é mãe solo, põe em risco também a vida das crianças, ressalta.

Além disso, os filhos mais velhos também acabam sendo impactados, já que precisam assumir o papel de cuidadores da casa.É um ciclo histórico, onde os mais velhos cuidam dos mais novos para que os pais possam ir trabalhar. As mães não veem isso como uma normalidade, mas sim como uma necessidade”, afirma Lualinda. Daí, temos ainda outra consequência, onde o jovem troca a educação pelo trabalho. “É normalizar o trabalho infantil”, acrescenta.

A escravização moderna ainda se revela nas demandas do trabalho, como a necessidade de trabalhar aos fins de semana, restringindo ainda mais o tempo disponível para o convívio familiar e lazer. Essa condição cria uma narrativa que desvaloriza o tempo de descanso, perpetuando a ideia de que o tempo integral deve ser dedicado ao trabalho, em detrimento do bem-estar e do convívio familiar.

A pedagoga também aborda a questão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) como uma forma de controle do Estado sobre as mães, limitando suas opções de emprego. “A mãe que recebe esse auxílio não pode ter um trabalho de carteira assinada, enquanto esse dinheiro deveria ser apenas para o cuidado da criança”, explica.

Isso porque o benefício, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, é a garantia de um salário mínimo por mês ao idoso com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade – desde que a renda por pessoa do grupo familiar seja igual ou menor que 1/4 do salário-mínimo. Para Claudete Marcolino, Psicóloga no Polo Centro, além de ser uma forma de escravização, é uma forma de manutenção da vulnerabilidade social.

De acordo com ela, nos atendimentos do Instituto C é presente a questão das mulheres que, muitas vezes, precisam se submeter a trabalhos informais sem nenhuma garantia de direitos.Os acessos a esses trabalhos são para aqueles com maior força física, o que também está conectado à ideia de que somos mais fortes. Daí, são mais horas de trabalho, sem benefício nenhum, sem direitos!”, pontua Claudete.

Para a psicóloga, a preocupação é constante com as crianças e adolescentes dessas famílias. “Eles assumem precocemente responsabilidades em que não há maturidade emocional, nem física e psíquica. Nós temos crianças de 7 ou 8 anos que estão assumindo uma casa. O que isso vai impactar em uma sociedade futura é preocupante, afirma – principalmente porque existe um encadeamento social que impacta várias gerações.Não é um aspecto que acomete apenas a mãe ou apenas o pai, ele acomete toda essa sociedade não-branca, inclusive as crianças, jovens e adolescentes. É uma questão que tem resquício do nosso passado, porque o racismo não acabou – ele existe”, reforça. 

Inclusão produtiva

A inclusão produtiva no Brasil é um desafio complexo, revelando as profundas raízes da cultura escravocrata que ainda persistem. Giovana Santos, analista de geração de renda do Instituto C, destaca a presença constante de exploração em diferentes formas de trabalho, seja sob o regime CLT, PJ ou como autônomo. No Polo Centro, ao atender famílias atípicas, ela também observa a dificuldade enfrentada por mães dependentes do BPC, cuja renda per capita as impede de trabalhar com carteira assinada, colocando barreiras significativas ao acesso aos direitos trabalhistas. “O nosso trabalho se dá ao compreender o contexto de cada indivíduo e de suas condições para buscar soluções juntos”, afirma Giovana.

Além disso, ao atender famílias bolivianas, ela também acrescenta a exploração flagrante e as condições de trabalho precárias. A gente tem que refletir como nós, enquanto população brasileira, acabamos reproduzindo a cultura escravocrata em outras populações, acrescenta. 

Assim, a conscientização sobre a inclusão produtiva é fundamental, como ressalta Maria Eduarda, analista de geração de renda do Instituto C no Polo Zona Norte. Ela observa que muitas das mulheres atendidas pelo projeto, sobretudo negras, estão envolvidas em trabalhos autônomos, desconhecendo seus direitos laborais – apesar de uma jornada fixa de trabalho. “A falta de fiscalização sobre horas extras é apenas um exemplo dessa desinformação“, afirma. Maria Eduarda também destaca a necessidade de trabalhar dentro do contexto de cada família, oferecendo orientações básicas e construindo, junto com elas, soluções adaptadas à sua realidade.

Percebemos que a inclusão produtiva envolve compreender o cenário e as condições individuais, considerando o que é possível no momento a partir de uma escuta atenta e acolhedora. A conscientização sobre direitos trabalhistas, a elaboração de currículos e a orientação sobre processos seletivos são ferramentas essenciais para empoderar essas famílias e promover uma transformação efetiva na inclusão produtiva no Brasil. Para aprender mais sobre o termo, não deixe de conferir este outro artigo para entender as soluções oferecidas pelo Instituto C. 

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Racismo: o que é, leis que combatem e como o IC atua na pauta

Racismo é um assunto complexo que tem impactado comunidades ao redor do mundo. A Lei 7.716/89, conhecida com Lei do Racismo, pune todo tipo de discriminação ou preconceito, seja de origem, raça, sexo, cor, idade. “Quando se aborda o tema do racismo, é possível afirmar que a subjetividade de um ser humano é moldada pelos costumes. Qualquer indivíduo, detentor de direitos, necessita ser amado, reconhecido e valorizado. E, ser alvo de preconceito, resulta em sofrimento. Por isso a importância de trabalhar essas questões para reduzir tal dor entre aqueles que vivenciam essa realidade”, introduz Enia Moura, psicóloga do Instituto C.

Neste artigo, vamos explorar o que é racismo, a origem dele no Brasil, as leis que combatem o racismo no país, recursos disponíveis para educar e combater o racismo sistêmico, e como o Instituto C atua na pauta – através de rodas de conversas, mas também de medidas práticas.

“Dentro do Instituto, a gente entende a importância de falar sobre o racismo estrutural e como esse racismo velado afeta cada um de nós – e a nossa sociedade”, afirma Lualinda Toledo, pedagoga do Polo Centro. Ela ainda acrescenta que as famílias atendidas pela organização já estão consumidas pelo diagnóstico de suas crianças, e que o racismo não é algo que elas compreendam como parte estrutural. “As mães não percebem que elas acessam ou não o direito delas pela cor da pele de seus filhos”, completa. O impacto de todo esse cenário é perverso e, além de atingir os acessos aos direitos, também influencia na saúde mental das famílias. Para mudar tudo isso, é preciso conversar sobre o tema, mas também tomar medidas práticas, como ações antirracistas – que cabem a toda a sociedade.

O que é racismo?

O racismo é a crença de que algumas raças são superiores a outras, resultando em discriminação e tratamento injusto para com as pessoas pertencentes a essas raças. Muitas vezes, o racismo é manifestado através de atitudes preconceituosas, estereótipos negativos e exclusão social. Essa forma de discriminação pode ocorrer em várias esferas da vida, como no ambiente de trabalho, na educação, na saúde e no acesso a serviços básicos.

O racismo pode assumir muitas formas, desde a discriminação explícita até a velada. É importante entender que o racismo não se limita apenas a ações individuais, mas também está enraizado em instituições e estruturas sociais, resultando em desigualdades sistêmicas. Reconhecer e combater o racismo é crucial para criar uma sociedade mais justa e inclusiva para todos.

Para Claudete Marcolino, também psicóloga do Instituto C, o racismo surge frequentemente durante os atendimentos, mas de uma maneira não verbalizada. “Isso ocorre porque não há uma construção de pensamento em relação à estrutura social, dificultando a identificação do racismo pelas famílias, já que não existe uma estrutura formalmente organizada para tal”, explica.

Um dos lugares onde ele aparece é no diagnóstico das crianças. Segundo ela, estatisticamente, está comprovado que crianças negras recebem um diagnóstico com mais atraso do que crianças brancas. “Esse atraso é mais evidente quando se trata de transtornos comportamentais, pois as questões reais do diagnóstico não são consideradas. Em vez disso, é associado ao contexto uma falta de educação e comportamento inadequado, colocando a responsabilidade na mãe negra e atribuindo tudo aos valores estruturais de uma sociedade que já universalizou seus próprios valores”, explica.

E, uma vez que o diagnóstico é atribuído a uma criança negra, o acesso à saúde, ao tratamento e ao acompanhamento é afetado por impactos físicos e sociais relacionados à melanina. O racismo estrutural se reflete na disparidade de diferença entre uma criança branca com diagnóstico e uma criança negra na mesma situação. Portanto, esse também é um impacto significativo na saúde mental das famílias que lidam com o diagnóstico de uma criança. “Assim, podemos começar a perceber o impacto gerado por uma sociedade que apresenta uma estrutura marcada por um racismo sistêmico e estrutural, os quais dificultam o acesso a diversos recursos. Este é um cenário concreto enfrentado por muitas famílias, que frequentemente não conseguem identificar ou nomear as situações como sendo racistas, nem reconhecer que estão sendo vítimas de violações de direitos decorrentes do racismo”, reflete Claudete.

Origem do racismo no Brasil

No Brasil, o racismo tem raízes profundas que remontam ao período colonial, quando milhões de africanos foram trazidos à força para trabalhar como escravos. Essa exploração e desumanização das pessoas de ascendência africana criou uma hierarquia racial que ainda permeia a sociedade brasileira. Mesmo após a abolição da escravidão, a discriminação racial persistiu de diversas formas, afetando a vida e as oportunidades das pessoas negras no país.

O mito da democracia racial, que sustenta a ideia de que no Brasil não há racismo e que todas as raças convivem em harmonia, tem sido desmascarado ao longo dos anos. A realidade é que o racismo estrutural e institucionalizado continua a impactar negativamente a vida das pessoas negras no Brasil, limitando seu acesso a oportunidades e recursos. Entender a origem do racismo no país é fundamental para promover ações eficazes de combate a essa realidade.

Claudete também reforça outros dois pontos importantes que o racismo atravessa: a solidão e o luto. É visível a falta de rede de apoio e sobrecarga enfrentada por mães negras solteiras, localizadas em regiões periféricas e em condições de vulnerabilidade. Em relação ao luto, também há uma diferenciação para com as mães negras, que não têm o “luxo” de se permitirem o tempo necessário para elaborar a perda de seus filhos, sendo pressionadas a prosseguir imediatamente na luta diária. Isso tudo, lembrando que, cerca de 85% das famílias atendidas no Instituto C são lideradas por mulheres negras, muitas das quais não se reconhecem como negras, destacando a influência também do padrão narcísico de beleza e a não-visibilidade da mulher negra na saúde humana.

Daí, a equipe multidisciplinar reconhece a necessidade de abordar temas que ampliem o pensamento das famílias, capacitando-as a protagonizarem suas próprias vidas com autonomia e independência. Esse processo possibilita que as famílias avaliem, reconheçam e nomeiem suas dores internas e sociais, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e independência”, pontua Claudete.

Leis que combatem o racismo no Brasil

No Brasil, existem leis específicas que visam combater o racismo e promover a igualdade racial. A Constituição Federal de 1988 estabelece a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo a proteção contra a discriminação racial. Além disso, a Lei nº 7.716/1989 define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, tornando puníveis as práticas discriminatórias.

O Estatuto da Igualdade Racial, instituído pela Lei nº 12.288/2010, estabelece políticas de promoção da igualdade racial e combate à discriminação, além de criar mecanismos de reparação para as vítimas de racismo. Essas leis representam avanços importantes na luta contra o racismo, mas é fundamental que sejam efetivamente aplicadas e que haja um trabalho contínuo de conscientização e educação para combater essa realidade.

Entretanto, a conquista efetiva dos direitos contra o racismo talvez demande muitos anos. Apesar da presença das leis, como expresso na Constituição, que proclama a igualdade, ainda há um longo caminho a percorrer. “Embora o racismo seja considerado crime, a batalha atual se dá para a efetivação das medidas legais para combater esse delito. É preciso renunciar aos padrões educacionais e estruturais tradicionais em prol de uma educação antirracista. E, para isso, é necessária uma mudança de perspectiva e uma revolução nos padrões de beleza e estrutura estabelecidos”, ressalta Claudete.

Vale lembrar que o racismo é uma forma de discriminação que se baseia em diferenças raciais, promovendo a inferiorização de um grupo étnico; o preconceito é um juízo prévio e desfavorável sobre algo ou alguém sem conhecimento adequado, e que pode ser relacionado a diversas características, incluindo raça, gênero, religião, entre outros. Já a injúria racial é uma ofensa direcionada à raça, cor, etnia, religião ou origem de alguém. Atualmente, no Brasil, o racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível, conforme a Constituição Federal. A prática de discriminação racial, injúria racial e preconceito são consideradas infrações penais

Rodas de conversa sobre o racismo

No início de todo ano, a equipe do Instituto C se reúne para pensar nos temas das rodas de conversas dos meses seguintes. “Pensamos em temas que dialoguem com aquilo que vamos percebendo ao longo do ano anterior. A violência contra a mulher, o não acesso das pessoas com deficiência e a questão racial, por exemplo, são questões urgentes”, explica Lualinda.

A questão racial, no entanto, é ainda mais gritante. “A gente percebe isso ao notar que o maior número de famílias atendidas pelo Instituto C é de pessoas negras. Ainda que muitas delas não se declaram negras, por uma questão estrutural, nós enquanto técnicas temos essa consciência de que elas fazem parte de um grupo étnico racial e que elas vivenciam essa questão todos os dias”, diz a pedagoga.

Em outubro, então, aconteceu a roda de conversa sobre racismo – que contou também com uma atividade lúdica sob o comando da artista Raki. “O tema é pesado, né? Então, na primeira parte dessa roda trouxemos as dores e o contexto histórico do racismo no Brasil, para depois finalizar com a atividade artística e temas como representatividade e identidade”, explicou Lualinda.

Fomos apresentando historicamente às famílias como o racismo se desenvolve, desde os filhos de Noé até a maldição de Cam, e como as religiões utilizam isso para afirmar que o povo negro é amaldiçoado. Abordamos como essa ideia foi empregada para justificar a escravidão do povo negro e como ela contribuiu para naturalizar a concepção de que o negro não possui alma. Relatamos às famílias o percurso de tirar o negro da África, trazê-lo para o Brasil, destacando a persistência das guerras, mas ressaltando que a escravidão tem um caráter perverso, resultando na perda de nossa identidade. Também discutimos a tentativa de embranquecer o Brasil e todo o contexto histórico, visando proporcionar às famílias uma compreensão do passado e, assim, desmistificar o que é ensinado nas escolas”, explicou.

A pedagoga conta que foram momentos de choro e de dor, mas também de reflexão e conhecimento – finalizado com uma série de atividades artísticas.

No Instituto, o trabalho também se desenvolve no sentido de proporcionar uma abordagem clínica ampliada. “Busca-se levar as famílias a compreenderem essa dor não verbalizada, que, apesar de não ser expressa verbalmente, é real e relevante, associada a uma estrutura que coloca essas famílias em situações desconfortáveis, de falta de acesso e violação de direitos”, reforça Claudete.

Medidas e ações antirracistas

É preciso ter essa conversa, mas também adotar práticas que possam mudar esse cenário. “É compreender como denunciar o racismo e entender o funcionamento das leis. É importante também reconhecer que o papel da pessoa branca é tomar partido ao testemunhar situações discriminatórias. É fundamental abordar esse espaço antirracista, reconhecendo que todos nós podemos agir para combater essa problemática. Devemos unir forças para promover mudanças – e de diferentes formas, seja através do voto, da denúncia ou da contratação de pessoas negras”, diz Lualinda.

Muitas das famílias chegam ao Instituto C desconhecendo o racismo e, por isso, naturalizando essa questão. “O pior é quando esse ciclo se perpetua de geração em geração, especialmente se houver a mesma reprodução de cor”, pontua Enia. A psicóloga conta que nos atendimentos das situações provenientes do racismo, é nítida a percepção de desconhecimento dos direitos. “É nosso papel fornecer informações sobre isso, para que a pessoa possa ser mais assertiva nos ambientes em que vive. Promovemos o entendimento sobre o racismo e suas implicações na saúde mental, utilizando uma estratégia chamada acolhimento, que oferece escuta e apoio. Através do diálogo, buscamos modificar a situação que ela está enfrentando para que ela possa sair desse contexto”, afirma.

Em julho deste ano, por exemplo, o Instituto C conquistou o selo Igualdade Racial, promovido pela Secretaria Municipal dos Direitos Humanos. Este reconhece instituições privadas cujo quadro de profissionais contratados contemple, ao menos, 20% de pessoas negras, distribuídas em hierarquias e funções. “Essa sempre foi uma preocupação do Instituto C quanto à equipe nas contratações”, reforçou Vera Oliveira, Diretora Executiva do Instituto C, na época.

Para Lualinda, é fundamental ter pessoas diversas dentro das instituições para que as famílias se reconheçam. “Há demandas que precisam ser abordadas por pessoas específicas, exigindo sensibilidade e compreensão. Quando se trata da relação afetiva e amorosa de uma mulher negra, se uma profissional branca não reconhece historicamente o lugar dessa mulher na sociedade e a experiência da solidão, ela não pode orientar adequadamente essa família, uma vez que o afeto é o único espaço de conexão que essa mulher conhece”, pontua.

Não se trata de classificar quem está sofrendo menos ou mais, mas sim de direcionar políticas públicas para compreender o contexto do racismo estrutural. “Isso envolve diálogo, estudo e a compreensão. Não é sobre virar inimigo do outro, é sobre o outro entender o seu lugar, nós entendermos o que acontece à nossa volta – e o que se faz com isso. Essa é a questão”, finaliza Lualinda.


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Dia das Crianças e Aniversário do Instituto C

Outubro é um mês muito especial para nós. Celebramos o aniversário do Instituto C, que completa 12 anos em 2023, e comemoramos também o Dia das Crianças – que são parte essencial do nosso trabalho

Aliás, as duas datas estão conectadas. “O Instituto C foi fundado coincidentemente no Dia das Crianças, e isso é maravilhoso porque é a melhor data para a gente comemorar uma organização que preza justamente por formar crianças que se tornem cidadãos conscientes de seus direitos e com todas as oportunidades que eles merecem ter na vida“, afirma Vera Oliveira, diretora executiva.

Tradicionalmente no Brasil, no dia 12 de outubro, celebramos a infância e homenageamos os pequenos que trazem alegria e esperança para o mundo. É um dia dedicado a enaltecer a importância das crianças em nossa sociedade e reconhecer seus direitos e necessidades.

Aqui, vamos nos aprofundar um pouco mais na história, simbologia da data, reunir ideias de brincadeiras para fazer com os pequenos e, claro, te contar também um pouco mais dos nossos 12 anos de trabalho

História do Dia das Crianças

Assim como em outras datas comemorativas, o Dia das Crianças tem origens que remontam a diversas culturas e tradições ao redor do mundo. No Brasil, a data foi oficializada em 1924, inspirada pelo movimento internacional que buscava garantir os direitos das crianças.

A data, então, foi criada por um decreto sancionado em 1924, no governo de Artur Bernardes, durante a Primeira República do Brasil. No entanto, a celebração já ocorria em outros países, como nos Estados Unidos, onde foi estabelecido em 1857. 

Por que celebramos o Dia das Crianças em 12/10?

A escolha do dia 12 de outubro para comemorar o Dia das Crianças está relacionada à celebração de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A data já era um feriado nacional e, por isso, foi escolhida para homenagear as crianças também. Essa escolha fez com que a data se tornasse ainda mais significativa para os brasileiros.

Além disso, a data varia em diversos países. Por exemplo, nos Estados Unidos, é comemorado no terceiro domingo de junho. Já na Índia, é celebrado em 14 de novembro, durante o aniversário de Jawaharlal Nehru, o primeiro primeiro-ministro do país, que era conhecido por seu amor pelas crianças. 

Qual é o objetivo de celebrar esse dia? 

O propósito de celebrar o Dia das Crianças é destacar a importância das crianças em nossa sociedade e garantir que seus direitos sejam respeitados. É uma oportunidade de refletir sobre a infância, promover a igualdade e oferecer um ambiente seguro e saudável para que as crianças possam crescer e se desenvolver plenamente.

Além disso, é uma data de celebração e diversão. É um momento para criar memórias felizes e fortalecer os laços familiares. Através de brincadeiras, presentes e atividades especiais, podemos demonstrar o nosso amor e carinho pelas crianças e proporcionar momentos de alegria e aprendizado. 

Dia Universal das Crianças 

Como falamos acima, esse dia é celebrado em datas diferentes ao redor do mundo. No entanto, também existe o Dia Universal das Crianças, também conhecido como Dia Mundial das Crianças. Ele é comemorado em 20 de novembro e foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1954.

Na data, é importante trabalhar para a conscientização da sociedade sobre a importância de garantir os direitos das crianças, como o direito à educação, à saúde, à proteção contra a violência e à liberdade de expressão. É uma oportunidade de refletir sobre as questões que afetam as crianças em diferentes países e buscar soluções para melhorar suas condições de vida. 

4 Atividades e brincadeiras para fazer com as crianças

Brincadeiras e, principalmente, jogos educativos são uma excelente forma de tornar o Dia das Crianças ainda mais especial e significativo. Eles proporcionam diversão e aprendizado ao mesmo tempo que estimulam o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional das crianças.

Abaixo, vamos te dar 4 ideias de atividades fáceis de fazer para tornar o dia mais divertido. Confira! 

Jogo da memória

O jogo da memória é um dos clássicos da infância. Ele é ótimo pois ajuda a exercitar a memória das crianças, além de trabalhar a concentração e a capacidade de observação. Para tornar o jogo mais divertido, você pode utilizar cartas com imagens de personagens ou objetos que as crianças gostem. 

Jogo de palavras

Você pode criar um jogo de caça-palavras ou um jogo de formação de palavras com letras embaralhadas. Esse tipo de jogo também ajuda a desenvolver o vocabulário, a ortografia e a capacidade de raciocínio das crianças. 

Corrida no saco

Se você tem a opção de fazer uma brincadeira ao ar livre, seja no quintal de casa ou em uma praça, uma ideia de jogo divertido é a corrida de saco. Basta providenciar sacos de batata e delimitar uma linha de chegada. As crianças devem entrar dentro dos sacos e, ao sinal, correr até a linha de chegada. O vencedor é quem chegar primeiro! 

Queimada 

A queimada também é uma brincadeira tradicional, principalmente nas escolas. Para fazer, reúna as crianças da família ou do bairro e organize dois tiques, com uma linha no meio do campo. O objetivo é acertar os jogadores do time adversário com a bola, sem deixar que a bola seja pega pelos adversários. O time que eliminar todos os jogadores adversários vence. 

Presentes simbólicos para o Dia das Crianças 

Sabemos que, além dos jogos, os presentes também fazem parte do Dia das Crianças. Afinal, as crianças ficam na expectativa de recebê-los. Porém, eles também podem ser simbólicos e, ainda assim, são uma excelente forma de demonstrar o carinho e amor pelos pequenos.

Uma opção de presente simbólico é uma carta das pessoas queridas por ela. Uma simples mensagem escrita à mão pode carregar um significado profundo que a criança levará para sempre. Nessa carta, os parentes e amigos podem expressar seus sentimentos, compartilhar lembranças especiais, colocar algumas fotos e transmitir palavras de encorajamento. É uma maneira de fortalecer os laços afetivos e criar memórias eternas!

Aniversário de 12 anos do Instituto C

Por tudo o que foi exposto, não haveria data melhor para comemorar o aniversário do Instituto C. Como adiantamos, a organização nasceu em 12 de outubro de 2011 e em 2023 celebra seus 12 anos. Para Vera Oliveira, diretora executiva e fundadora do IC, a comemoração dupla é simbólica e especial. “É a melhor data para comemorar uma organização que preza justamente por formar crianças que se tornem cidadãos conscientes de seus direitos e com todas as oportunidades que eles merecem ter na vida“, diz. 

Para ela, os 12 anos do Instituto são a consolidação da metodologia usada pela organização. “Desenvolvemos esse sistema durante todos esses anos e agora começamos a replicar em parceria com outras organizações. Estamos prontos para expandir ainda mais“, celebra Vera.


Leia Agora:

“Um ano de grandes conquistas para o Instituto C”


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Conselho tutelar e a proteção de crianças e adolescentes

O Conselho Tutelar desempenha um papel fundamental na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. Como órgão autônomo e permanente, o Conselho Tutelar atua de forma independente, zelando pelo cumprimento das leis e garantindo o bem-estar das crianças e dos adolescentes em situações de vulnerabilidade.

 A existência do Conselho Tutelar é essencial para garantir que as políticas públicas voltadas para a infância e adolescência sejam efetivamente implementadas e que seus direitos sejam respeitados.

 Muitas dúvidas ainda permeiam a atuação do órgão, por isso aqui vamos explorar em detalhes o papel do Conselho Tutelar, suas atribuições legais e a importância desse órgão na promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes

O que é o Conselho Tutelar? 

O Conselho Tutelar é um órgão que faz parte do conjunto de políticas públicas voltadas para a proteção e promoção dos direitos da infância e adolescência. 

Foi instituído pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Conselho Tutelar é composto por membros eleitos pela comunidade local, em um processo democrático. 

Esses membros são responsáveis por atuar na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, exercendo funções de orientação, encaminhamento, aconselhamento e fiscalização.

Em 2019, houve uma grande mudança no Conselho Tutelar do Brasil. Isso porque, naquele ano, foi aprovado o Projeto de Lei PL 1.783/2019, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para permitir a reeleição de conselheiros tutelares para vários mandatos. Antes da nova lei, o ECA permitia essa recondução por apenas uma vez. A medida também adotou o primeiro domingo de outubro como a data da eleição dos novos membros do Conselho Tutelar – que tem um mandato de 4 anos.

Poucas pessoas na sociedade civil têm conhecimento sobre as eleições e sobre a importância do Conselho Tutelar”, introduz Sheila Silva, agente de ação social do Instituto C.

“Somos uma Instituição que trabalha para garantir a proteção de crianças e adolescentes. Então, a gente precisa também estar presente nesse ato de compartilhar, ampliar conhecimento e saber quem são esses conselheiros”, completa.

Qual é a função do Conselho Tutelar?

Uma das principais funções do Conselho Tutelar é o atendimento e orientação de crianças, adolescentes e seus pais ou responsáveis. Por meio desse atendimento, o Conselho busca fornecer informações, esclarecer dúvidas e orientar sobre os direitos e deveres de cada um. Esse trabalho de orientação contribui para o fortalecimento dos vínculos familiares e para a prevenção de situações de risco e violação dos direitos.

 O Conselho Tutelar possui diversas atribuições, que visam garantir o pleno desenvolvimento e proteção desses direitos. Entre suas principais atribuições, podemos destacar:

  • Atender e aconselhar crianças, adolescentes e seus pais ou responsáveis, fornecendo orientações e encaminhamentos necessários;
  • Realizar diligências e visitas domiciliares, verificando situações de vulnerabilidade e risco;
  • Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, assistência social, entre outros, visando garantir o acesso aos direitos fundamentais;
  • Encaminhar casos às autoridades competentes, como o Ministério Público, em situações de violação dos direitos das crianças e adolescentes;
  • Mediar conflitos familiares e promover ações de conscientização e prevenção de violência;
  • Representar crianças e adolescentes em situações judiciais;
  • Fiscalizar entidades de atendimento, como abrigos e casas de acolhimento, verificando as condições de acolhimento oferecidas;
  • Promover a articulação e integração da rede de proteção à infância e adolescência, envolvendo diversos órgãos e instituições.

Sheila destaca que o Conselho Tutelar atua muito de forma preventiva às violações dos direitos. “Muito se fala apenas sobre a questão punitiva, né? Precisamos desmistificar essa ideia de que o Conselho é algo que retira as crianças do poder familiar. Ele é um órgão que tem uma autoridade, sim, mas que também orienta as famílias para vínculos mais saudáveis”, reforça. 

Como funciona o Conselho Tutelar?

O Conselho Tutelar é um órgão autônomo e independente, sem qualquer subordinação hierárquica administrativa. Isso significa que suas decisões são tomadas de forma autônoma e não estão sujeitas a revisão pela administração pública.

No entanto, as decisões do Conselho Tutelar podem ser revistas pelo Poder Judiciário, a pedido de quem tenha interesse legítimo. Essa revisão é importante para garantir a imparcialidade e a legalidade das decisões tomadas pelo Conselho Tutelar.

Vale explicar também que o Conselho Tutelar atua de forma territorializada, isto é, cada região tem o seu. 

“Aqui na Zona Norte, por exemplo, trabalhamos com o Conselho que atua na Brasilândia e Freguesia do Ó, tem o que atua na Casa Verde, Limão e Cachoeirinha… Já faz algum tempo, desde o Plano Nacional da Assistência, que o Brasil atua com a territorialização, que é justamente para a gente aproximar esses equipamentos públicos à sociedade civil”, explica Sheila.

Quando acionar o Conselho Tutelar?

De acordo com o artigo de número 4 do Estatuto da Criança e do Adolescente, é obrigação de toda a sociedade garantir a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes. Sendo assim, o Conselho Tutelar deve ser acionado sempre que houver qualquer situação que configure ameaça ou violação desses direitos por falta, omissão ou abuso dos pais, responsável, sociedade ou Estado ou em razão de conduta própria do menor.

O Conselho Tutelar deve ser acionado quando a criança ou o adolescente, por exemplo:

  • Não está matriculado ou não frequenta regularmente a escola;
  • Apresenta problemas de saúde e não tem atendimento médico adequado;
  • Necessita do uso de medicamentos, mas não tem acesso ou não usa corretamente;
  • Apresenta sinais de maus-tratos ou de agressões;
  • Vive em contexto familiar prejudicial à sua formação ou existe alguma situação grave que recomende sua saída do contexto familiar;
  • Trabalha em condições que não são compatíveis com o que determina o ECA (saiba mais sobre trabalho infantil aqui).

Eleições e Composição do Conselho Tutelar

Os membros do Conselho Tutelar são eleitos pela comunidade, em processo eleitoral que ocorre a cada 4 anos. Podem se candidatar ao cargo de conselheiro tutelar pessoas maiores de 21 anos, com reconhecida idoneidade moral e que residam no município. As eleições são realizadas de forma democrática, com a participação da comunidade na escolha dos representantes do Conselho Tutelar.

Está também estipulado no ECA que as eleições para o Conselho Tutelar acontecem no primeiro domingo de outubro (no próximo dia 01/10) elegendo cinco membros escolhidos que terão um mandato de 4 anos. Neste ano, ao todo, serão eleitos 260 conselheiros tutelares em São Paulo com remuneração mensal de R$ 4 mil. “Teremos a eleição e estamos trabalhando com as famílias a importância de irem nesse dia votar”, diz Sheila.

E qualquer pessoa pode ir votar!A sociedade não tem esse exercício, mas todo mundo pode participar dessa eleição, e deveria! É uma votação extremamente importante, afinal estamos falando da garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Precisamos cada vez mais engajar a sociedade civil nisso”, alerta Sheila. 

Como realizar a votação?

Para votar, basta comparecer presencialmente no dia 01/10 em um dos 325 pontos distribuídos por São Paulo que estará realizando a eleição. O horário de votação é das 8h às 17h e é importante também levar RG e Título de Eleitor. 


Confira aqui as informações sobre os pontos de votação e candidatos do Processo de Escolha Unificado dos membros dos Conselhos Tutelares da Cidade de São Paulo

Como o Instituto C atua com o Conselho Tutelar?

O Conselho Tutelar desempenha um papel fundamental na proteção e promoção dos direitos das crianças e adolescentes – e o Instituto C trabalha nas duas pontas de atuação. Com conversas com os membros do Conselho para que eles conheçam os serviços prestados e possam atuar de forma conjunta, e também com as famílias para que elas vejam o órgão como algo positivo. “Fazemos um trabalho de sensibilizar e informar que o Conselho não é algo punitivo, mas preventivo. Até porque existe um estudo muito grande para que alguma medida mais grave seja tomada”, esclarece.

O órgão, então, é essencial para assegurar a efetiva implementação das políticas públicas voltadas para a infância e adolescência e garantir um ambiente seguro e saudável para o desenvolvimento. 

Muitas vezes a violência contra a criança acontece dentro de casa. O Conselho Tutelar é um órgão importante para toda a sociedade, afinal ele serve para proteger e prevenir e ninguém está isento de algo acontecer, né? Precisamos nos engajar e difundir a importância do órgão e, claro, da eleição. É um processo de escolha importante para todos nós”, finaliza Sheila.

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Trabalho infantil: o combate para acabar com esse cenário

Às vezes distante de nós, o trabalho infantil pode parecer algo já superado e que existia apenas no passado – mas o cenário atual está longe de não existir!

O trabalho infantil é uma realidade triste que ainda persiste no Brasil, violando os direitos fundamentais de milhares de crianças e adolescentes. Mesmo sendo condenado pela maioria dos países e fiscalizado por agências internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para sua erradicação, a exploração do trabalho infantil continua a roubar a infância e comprometer o desenvolvimento saudável desses jovens. 

 De acordo com dados divulgados em 2021, pela Fundação Abrinq, o trabalho infantil ainda é realidade para 1,7 milhão de crianças e adolescentes no Brasil. A pesquisa, que utilizou os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 86% de adolescentes entre 14 e 17 anos que estão no mercado de trabalho encontram-se em situação de trabalho infantil. Em 2020, a taxa era de 84,8%. Ou seja, precisamos avançar no debate e erradicar a exploração de crianças e adolescentes. 

Mas afinal o que é o trabalho infantil?

O trabalho infantil é uma questão grave que afeta a vida de milhões de crianças em todo o mundo, incluindo o Brasil. De acordo com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), o trabalho infantil é caracterizado por atividades realizadas por crianças com idade inferior à mínima permitida para a entrada no mercado de trabalho, conforme estabelecido pela legislação em vigor no país.

No Brasil, a legislação estabelece uma série de diretrizes para proteger os direitos das crianças e adolescentes em relação ao trabalho. 

A proibição total do trabalho infantil é estabelecida até os 13 anos de idade. Isso significa que crianças com menos de 13 anos não podem ser empregadas em nenhuma atividade laboral, garantindo que tenham a oportunidade de crescer e se desenvolver de forma adequada, sem comprometer sua educação e saúde.

A partir dos 14 anos até os 16 anos, os adolescentes podem trabalhar, mas sob a condição de serem contratados como aprendizes – no Programa Jovem Aprendiz. Isso implica que eles podem adquirir experiência profissional, desde que seja uma atividade compatível com o seu desenvolvimento físico e psicológico. Essa medida visa equilibrar a formação educacional com a preparação para o mercado de trabalho.

Franciele Fernandes, assistente social do Instituto C, percebe que muitos jovens já estão inseridos neste contexto de trabalho, o que é ótimo. “O Programa Jovem Aprendiz não impede os jovens de estudar. Eles recebem um salário e, ao término do contrato, saem com uma capacitação. Ou seja, ao mesmo tempo em que trabalham, fazem um  curso relacionado à área de atuação deles. Isso sem falar que eles também gostam de ter seu próprio dinheiro, então, além desse ganho, o trabalho os motiva e os profissionaliza”, explica.

Já para aqueles entre os 16 e 18 anos, a lei permite que os jovens exerçam o trabalho de forma parcial, desde que sejam respeitadas algumas restrições. Nesse período, eles podem trabalhar, mas devem ser retirados de atividades laborais noturnas, perigosas e insalubres, protegendo assim sua segurança e bem-estar.

O Brasil ratificou a Convenção 182 da OIT em 2000, comprometendo-se a adotar medidas imediatas e eficazes para proibir e eliminar as piores formas de trabalho infantil. Em cumprimento a essa convenção, o Brasil elaborou a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, que inclui o trabalho infantil na agricultura, trabalho doméstico, produção e tráfico de drogas, trabalho informal urbano, trabalho com lixo e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Números do trabalho infantil no Brasil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), ligada à ONU, tem se empenhado em erradicar o trabalho infantil em todo o mundo. No entanto, ainda estamos longe de alcançar esse objetivo. 

Segundo a OIT, em 2016, cerca de 152 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam sendo obrigados a trabalhar em todo o mundo. Além disso, 40 milhões de pessoas eram vítimas de trabalho análogo à escravidão, sendo que aproximadamente 10 milhões delas eram menores de idade.

 No Brasil, segundo aquele estudo publicado pela Abrinq, as ocupações do trabalho infantil variam desde trabalhos em campos agrícolas até atividades produtivas para consumo próprio. Dos 1,3 milhão de adolescentes envolvidos nesse cenário, 66,4% são meninos e 33,6% são meninas. Além disso, a pesquisa revela que 44,8% dos adolescentes entre 14 e 17 anos ocupam atividades da chamada Lista TIP – como a operação de tratores e máquinas agrícolas, o processamento de produtos como fumo, sisal e cana-de-açúcar, trabalhar em pedreiras, produzir carvão vegetal, coletar, selecionar e processar lixo, envolver-se no comércio ambulante e desempenhar tarefas domésticas.

 Quando racializamos esse cenário, os dados ficam ainda piores. Segundo o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), o número de crianças e adolescentes negros em situação de trabalho é maior do que o de não negros. Os pretos ou pardos representam 66,1% das vítimas do trabalho infantil no Brasil.

 De acordo com o IBGE, apesar da queda de 16% em 2019, na comparação com 2016, o número de de crianças e adolescentes envolvidos em trabalho infantil no Brasil ainda é alarmante e indica a necessidade contínua de medidas eficazes para erradicar essa prática.

Consequências do trabalho infantil para as crianças

O trabalho infantil tem efeitos ruins no desenvolvimento físico, psicológico, cognitivo, social e moral das crianças e adolescentes. Em termos físicos, o trabalho infantil pode causar fadiga excessiva, problemas respiratórios, doenças relacionadas ao uso de agrotóxicos, lesões na coluna, alergias e distúrbios do sono.

No aspecto psicológico, o trabalho infantil expõe as crianças a abusos físicos, sexuais e emocionais, levando ao adoecimento mental. Fobia social, isolamento, perda de afetividade, baixa autoestima e depressão são alguns dos problemas identificados.

Além disso, o trabalho infantil compromete a educação das crianças, resultando em baixo rendimento escolar e até mesmo o abandono da educação.

Como o Instituto C atua contra o trabalho infantil

No Instituto C, as conversas sobre o tema estão sempre presentes. Franciele conta que, com frequência, convida as famílias para discutir a importância dos estudos – e também explicar qual é a idade e a forma correta de inserir os jovens no mercado de trabalho, como por exemplo, o Programa de Jovem Aprendiz. 

Muitas vezes, a criança ou o adolescente está trabalhando para ajudar dentro de casa. “O primeiro passo é mostrar os direitos que as famílias podem ter. Aqui, costumamos orientar essas famílias sobre os benefícios dos programas de transferência de renda, o Bolsa Família, por exemplo, para que a família tenha uma renda mínima garantida e o jovem não precise realizar trabalhos precoces”, conta Franciele.

Além disso, o Instituto também se dedica a encontrar oportunidades de capacitação para os adultos da família poderem gerar renda, como cursos de manicure, cabeleireiro, entre outros inúmeros cursos gratuitos que existem na cidade. “Quando o responsável consegue um emprego, orientamos sobre o Centro para Crianças e Adolescentes (CCA), um espaço onde as crianças e adolescentes,  podem permanecer, durante o contraturno escolar evitando que fique nas ruas, onde sabemos que as crianças da periferia estão sujeitas a influências negativas, como o tráfico de drogas por exemplo. Nos CCAs, elas têm uma ocupação, são estimuladas em seu desenvolvimento e não ficam em risco”, complementa.

O nosso trabalho orienta e apresenta oportunidades que as famílias em situação de vulnerabilidade podem acessar para alcançar autonomia financeira e promover o desenvolvimento pleno e proteção dos seus filhos. “Realizamos um atendimento integral da família, entendemos as suas necessidades e demandas e indicamos caminhos possíveis dentro do que existe de oportunidades na cidade. Dessa forma, apresentamos um universo diferente que muitas vezes as famílias que nunca saíram da periferia não conhecem”, reforça Franciele.

É importante ressaltar que uma das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) é a eliminação de todas as manifestações de trabalho infantil até o ano de 2025. O Brasil é um dos signatários desse compromisso, assumindo o compromisso de erradicar o trabalho infantil no país.

Eu vejo de perto como a educação transforma a vida das famílias que atendemos, e mostramos que existem outras opções além do trabalho informal. A vida oferece diferentes caminhos, e eles podem sonhar em fazer um curso técnico ou uma faculdade. Estamos aqui para orientar e mostrar essas outras possibilidades”, finaliza Franciele.


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Setembro Amarelo e o trabalho de prevenção ao suicídio

Você com certeza já se deparou com o termo Setembro Amarelo por aí, não é mesmo? A campanha, que acontece durante todo esse mês, tem como objetivo conscientizar e prevenir o suicídio no Brasil.

Em um mundo onde as pressões da vida moderna podem ser avassaladoras, o Setembro Amarelo serve como um lembrete importante de que todos nós, como sociedade, desempenhamos um papel na prevenção do suicídio, podendo ajudar a salvar vidas e oferecer suporte e recursos para aqueles que mais precisam.

O Setembro Amarelo é uma oportunidade para refletir sobre como podemos contribuir para a promoção da saúde mental e como essa contribuição pode chegar nas populações que vivem em situação de exclusão social. Uma das formas para fazer isso é se informando sobre o assunto, a fim de diminuir o preconceito em torno dos transtornos mentais. Então, vamos partir do começo?

O que é o Setembro Amarelo?

Setembro amarelo

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

Esse mês ganhou destaque no Brasil, graças ao empenho de Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que a introduziu no calendário nacional em 2013. Desde então, a ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), tem trabalhado para divulgar e expandir essa importante iniciativa em todo o país.

Assim, o dia 10 de setembro é oficialmente reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha do Setembro Amarelo acontece ao longo de todo o ano, destacando a importância de promover a conscientização sobre os desafios da saúde mental e transtornos mentais.

Hoje, o Setembro Amarelo já é reconhecido como a maior campanha anti estigma do mundo, desempenhando um papel fundamental na quebra de tabus e na promoção de discussões abertas sobre a saúde mental.

Neste ano, o tema da campanha é: “Se precisar, peça ajuda!” – e reflete o compromisso contínuo de oferecer apoio e orientação às pessoas que enfrentam crises emocionais e psicológicas. 

Diversas ações estão sendo desenvolvidas para alcançar indivíduos de todas as idades e comunidades, com o objetivo de diminuir o preconceito em torno da saúde mental e incentivar a busca por ajuda quando necessário. 

Números de suicídios no Brasil

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019, já foram registrados mais de 700 mil casos de suicídio em todo o mundo. 

No Brasil, aproximadamente 14 mil pessoas tiram suas próprias vidas anualmente, uma média de 38 suicídios por dia – sem contar com os episódios subnotificados. E, embora haja uma tendência de diminuição global, os países das Américas estão enfrentando um aumento nos índices. 

Ainda de acordo com a OMS, quase 100% dos casos de suicídios estavam relacionados a transtornos mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente.

Em cartilha divulgada pela Associação Brasileira de Psiquiatria sobre o tema, o Brasil aparece como o oitavo país em número absoluto de suicídios. Os transtornos mentais não tem alvo podem atingir a todos, independente da origem, sexo, cultura, classe social ou idade.

Taxas de suicídios entre adolescentes:
  • Entre 2016 e 2021, as taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos aumentaram em 49,3%, atingindo 6,6 por 100 mil.
  • Para adolescentes de 10 a 14 anos, houve um aumento de 45%, chegando a 1,33 por 100 mil.
Taxas de suicídio por gênero:
  • No Brasil, a taxa de suicídio entre homens é de 12,6 por 100 mil, em comparação com 5,4 por 100 mil entre mulheres.

Como identificar sinais de alerta?

Não existem exames ou diagnósticos para identificar o risco de suicídio de um paciente, por isso é importante toda a sociedade se unir em torno do tema e manter os olhos abertos para possíveis fatores de risco. Podemos elencar dois principais sinais de alertas:

Tentativa prévia de suicídio

Cerca de 50% daqueles que cometeram suicídio já haviam tentado anteriormente. Por isso, a tentativa prévia é o fator mais importante a ser acompanhado. Pacientes que tentaram o suicídio em algum momento da vida possuem de 5 a 6 vezes mais chances de repetir o ato. 

Transtornos mentais

Como falamos no início do texto, a OMS elenca que quase 100% das pessoas que cometem suicídio eram atingidas por algum tipo de transtorno mental – ainda que não diagnosticada ou tratada. Os mais comuns são a depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, dependência de drogas e esquizofrenia. E, quanto mais diagnósticos acumulados, maior o risco.

Porém, não é apenas isso. Sentimentos de desamparo e desesperança também são fortemente ligados ao suicídio. Problemas relacionados à moradia ou renda, por exemplo, podem angustiar uma pessoa de tal forma que, a partir de um ato impulsivo, esse desamparo se transforma em um fator de risco para o suicídio. 

Como o Instituto C atua nesses casos?

No Instituto C a escuta qualificada e ativa é sempre algo muito valorizado. Ao identificar qualquer risco, o apoio, o suporte e os encaminhamentos necessários são feitos de imediato. 

Quando alguém está enfrentando um sofrimento intenso, muitas vezes é necessário mais do que apenas escuta terapêutica; pode ser preciso contar com uma rede de apoio e intervenção medicamentosa. Por aqui, oferecemos nosso acolhimento, identificando quais são os recursos disponíveis e encaminhando para uma psicoterapia apropriada, um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou para uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que ofereça atendimento emergencial em psicoterapia“, explica Arisla Lino, psicóloga e agente de ação social do Polo Zona Norte.

O fundamental é acolher e conscientizar aquela pessoa de que ela não deve, não precisa e nem pode negligenciar seus próprios sentimentos. “Ampliamos esses acessos para que ela compreenda que seu sofrimento é legítimo e que existem ferramentas que podem aliviar essa dor, garantindo que ela seja devidamente cuidada“, completa Arisla.

Enia Moura, psicóloga também do Polo Zona Norte, reforça que é sempre importante exaltar que existem recursos para enfrentar essa situação temporária, dependendo do caso. “Muitas vezes, a angústia não está relacionada só a transtornos mentais, pode ter ligação com o desemprego, relacionamentos conjugais e violência doméstica, por exemplo“, diz.

A psicóloga lembra de um caso em que uma mãe atendida dizia já não suportar mais passar por violência doméstica e, para ela, a única solução seria desistir da vida. “Eu fiz a escuta e sugeri já o encaminhando para o CAPS, entrei em contato com a equipe de lá para garantir que ela seria atendida, também falamos com um familiar para garantir que ela estivesse segura e, com todo esse apoio, hoje ela faz um acompanhamento psicoterapêutico“, lembra.

Por fim, as profissionais do Instituto C reforçam também a ideia de que o olhar atento é essencial para a prevenção do suicídio. “Nada é bobagem, tudo precisa ser compartilhado. Não negligencie, compartilhe, converse, peça ajuda e esteja sempre atento a você mesmo – no sentido de manter o autocuidado, não se sobrecarregar com tarefas cotidianas e respeitar seus limites. É um cuidado constante!“, acrescenta Arisla. “Uma escuta bem feita pode reduzir muito a taxa de suicídio!“, finaliza Enia.

Onde buscar ajuda ou como auxiliar?

É fundamental que todos nós desempenhemos um papel ativo na conscientização sobre a importância da vida e na prevenção do suicídio, que muitas vezes é cercado por tabus. Abrir conversas sobre o tema é crucial para encorajar aqueles que estão enfrentando momentos difíceis e crises a buscar ajuda e compreender que a vida sempre oferece alternativas.

Para aqueles que estão ao redor, é importante saber identificar sinais de pensamentos suicidas, oferecer escuta ativa, evitar julgamentos e mostrar empatia, direcionando a pessoa a um médico psiquiatra capaz de lidar com a situação de forma apropriada e, assim, salvar vidas.

Se você acha que está tendo problemas relacionados à sua saúde mental ou conhece alguém que está passando por alguma dificuldade, a ABP oferece o contato de psiquiatras para atendimento (clique aqui para ir para o site da ABP).

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias (clique aqui para ir para o site do CVV).


Com sua ajuda, levamos mais autonomia e qualidade de vida a famílias em vulnerabilidade social!

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Primeira Infância – A importância de investir nos primeiros anos de vida

A Primeira Infância compreende o período que vai desde o nascimento até os seis anos de idade. É uma fase crucial no desenvolvimento humano, caracterizada por um rápido crescimento físico, emocional, cognitivo e social.

Investir nos primeiros anos de vida é de extrema importância, pois é nesse período que o cérebro da criança está em constante formação e é mais receptivo ao aprendizado. 

São vários os estudos científicos que mostram que as experiências vividas durante a Primeira Infância têm um impacto profundo e duradouro na vida adulta. Segundo o Centro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância habilidades como a linguagem, a capacidade de resolução de problemas, a sociabilidade e a capacidade de se adaptar a novas situações são desenvolvidas nos primeiros anos de vida. 

Pensando em tudo isso, em junho deste ano, o Senado aprovou o projeto de lei pelo qual o Mês da Primeira Infância será comemorado em agosto. O PL 2.034/2021 prevê a promoção de conscientização sobre a importância da atenção integral às gestantes, às crianças e suas famílias em todo o território nacional.

No Instituto C, possuímos um núcleo de atendimento chamado desenvolvimento infantil com foco total às crianças na primeira infância, buscando sempre favorecer o seu desenvolvimento pleno.

Mas, afinal, o que é a Primeira Infância?

De acordo com o Ministério da Saúde, do Governo Federal do Brasil, a Primeira Infância é o período que vai desde a concepção do bebê até os 6 anos de idade. Segundo o órgão e muitas pesquisas já realizadas, a fase é crucial para o desenvolvimento do ser humano, caracterizada por um rápido crescimento físico e cerebral, bem como pelo desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança.

A ciência tem verificado que as vivências experimentadas durante a Primeira Infância, desde o período gestacional, impactam diretamente na constituição do indivíduo que a criança se tornará. Essa etapa representa uma oportunidade ímpar para que o sujeito desenvolva todo o seu potencial. “Quanto mais cedo se investir no desenvolvimento da criança, maior será o retorno para ela própria e para a sociedade”, afirma o NCPI.

Assim, tudo aquilo que é vivido durante a Primeira Infância – tais como as experiências positivas ou negativas vivenciadas e compartilhadas, especialmente, com seus progenitores, familiares e cuidadores em geral – moldam o ser humano do futuro.

5 Motivos para investir nos primeiros anos de vida

Deu para perceber que investir na Primeira Infância é benéfico não só para a criança, como para a sociedade no geral. O estímulo apropriado traz vantagens, que variam desde o aumento da habilidade intelectual, favorecendo o desempenho escolar e reduzindo os índices de repetência e evasão, até a formação de adultos preparados para enfrentar os desafios cotidianos. 

Quer mais motivos para investir nos primeiros anos de vida?

Impacto no desenvolvimento cerebral

Durante os primeiros anos de vida, o cérebro da criança passa por um rápido processo de crescimento e formação de conexões neurais. 

Investir nessa fase possibilita estímulos adequados, que contribuem para o desenvolvimento cerebral saudável e aquisição de habilidades fundamentais.

Base para habilidades futuras

As experiências vividas na Primeira Infância têm um efeito profundo e duradouro na formação da personalidade, do comportamento e do aprendizado ao longo da vida. Investir nessa fase permite estabelecer bases sólidas para o desenvolvimento integral da criança.

Promoção da saúde e bem-estar

O investimento nos primeiros anos de vida está diretamente relacionado à saúde física e emocional das crianças. Cuidados adequados nesta fase podem prevenir problemas de saúde a longo prazo e promover o bem-estar emocional e social.

Redução das desigualdades sociais

Investir na Primeira Infância é uma forma eficaz de combater as desigualdades sociais, pois proporciona igualdade de oportunidades desde o início da vida. Crianças que recebem estímulos adequados têm mais chances de alcançar seu potencial máximo, independentemente de sua origem social.

Economia de recursos a longo prazo

Investir nos primeiros anos de vida pode gerar retornos significativos para a sociedade a longo prazo. Crianças que recebem uma educação de qualidade e cuidados apropriados têm maior probabilidade de se tornarem adultos produtivos e auto suficientes, reduzindo a necessidade de gastos com serviços sociais e de saúde no futuro.

Direitos das crianças: quais são os principais?

As crianças têm direitos reconhecidos internacionalmente e protegidos por convenções e declarações específicas. Um dos documentos mais importantes nesse contexto é a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de novembro de 1989.

Entre os direitos das crianças, estão o direito à educação, saúde, proteção contra o trabalho infantil, contra o preconceito, contra a violência, abuso e exploração, à liberdade de expressão e ao convívio familiar.

A garantia da existência desses direitos é uma responsabilidade compartilhada entre a sociedade, o Estado, a família e os indivíduos. 

O Estado tem a responsabilidade primordial de assegurar a proteção, promoção e respeito aos direitos das crianças por meio da elaboração e implementação de políticas públicas adequadas, leis e regulamentações que garantam sua aplicação.

Os governos devem investir em educação, saúde, proteção social e outros serviços essenciais para crianças. Porém, a sociedade, e não só a família, incluindo organizações não governamentais, comunidades e indivíduos, também têm um papel importante na proteção dos direitos das crianças.


Leia agora:

Adolescentes: a importância de um olhar integral também aos irmãos das crianças com deficiência 

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ONG – O que é e como funciona?

Ong – O que significa?

Você já parou para pensar em como funciona uma ONG? A sigla, que significa Organização Não Governamental, é uma entidade de caráter privado, sem fins lucrativos e independente do governo que se dedica a causas sociais, culturais, ambientais, humanitárias, educacionais, de saúde, entre outras.

Terceiro Setor 

 Uma ONG compõe o que chamamos de terceiro setor – que são organizações que desenvolvem atividades em favor da sociedade e sem objetivo de lucro. Esse conceito foi criado nos Estados Unidos e define como primeiro setor aquele que é constituído pelo Estado e o segundo setor pelos entes privados que buscam fins lucrativos.

De acordo com Vera Oliveira, Fundadora e Diretora Executiva do Instituto C, o segundo e terceiro setor possuem uma estrutura muito semelhante para o bom funcionamento. “Em termos de estruturação, não existe muita diferença entre uma ONG e uma empresa. O diferencial é o que a gente vende, que no nosso caso é o impacto social”, disse em uma entrevista publicada aqui no blog em maio de 2022.

Inclusive, em 2022, o Instituto C conquistou pela sexta vez consecutiva o prêmio Melhores ONGs, que premia as 100 melhores organizações brasileiras do terceiro setor. Com edições anuais, desde 2017, a celebração já é uma das mais importantes do setor e apenas em 2021 recebeu inscrições de 1033 organizações espalhadas pelo país. Assim, o IC faz parte de um seleto grupo de sete organizações brasileiras a constar na lista das 100 melhores em todas as edições do prêmio.

Como funciona uma ONG?

O funcionamento de uma ONG tem como base mobilizar recursos financeiros, humanos e materiais para alcançar seus objetivos e promover mudanças positivas na sociedade. Geralmente, a renda é obtida por meio de doações, patrocínios e convênios com governos e outras instituições.

Parte importante de uma ONG, claro, é o trabalho voluntário de pessoas comprometidas com suas causas, o que amplia o seu alcance. Porém, para além disso, uma ONG também possui contas a pagar: como impostos, salários, fornecedores e aluguel.

No Instituo C, por exemplo, são quase 30 funcionários que possuem carteira assinada e recebem os benefícios garantidos por lei. Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), mostram que as organizações do ramo empregam, formalmente, 3 milhões de pessoas. 

Uma das fontes de renda mais importantes do Instituto C, por exemplo, é a Nota Fiscal Paulista. Quando você pede o CPF na nota de uma compra qualquer, automaticamente aquele estabelecimento é obrigado a declarar a venda e pagar o imposto para o governo. 

No início, para incentivar o consumidor, o valor gerado em créditos a partir das compras com CPF na nota era relevante. Com o tempo, o governo mudou os parâmetros, beneficiando as ONGs, e diminuiu o valor para o consumidor. Atualmente, a doação via Nota Fiscal Paulista equivale a 16% da receita anual do Instituto C.

Atuação das ONGs

De forma independente, uma ONG busca complementar as ações do governo e trabalhar em áreas onde há demandas sociais não atendidas ou onde é necessária assistência adicional. Os trabalhos são amplos, e abrangem:

  • Assistência social;
  • Educação; 
  • Saúde;
  • Meio ambiente;
  • Direitos humanos;
  • Ajuda humanitária em situações de emergência.

Instituto C – Criança, Cuidado, Cidadão 

Fundado em 2011, o Instituto C nasceu atendendo famílias em situação de vulnerabilidade social com crianças com doenças crônicas ou graves. De lá para cá, os projetos foram expandindo e abraçando mais causas – como, por exemplo, a Primeira Infância, a fim de prevenir riscos no desenvolvimento pleno destas crianças e criando um ambiente favorável com estímulos, proteção e cuidado.

Em 2021, o IC decidiu unir seus três projetos – PAF, Educação em Rede e Primeira Infância – em um grande programa que oferece soluções para as mais diversas demandas sociais de famílias que vivem em situação de vulnerabilidade, a ser ofertado em Polos de Atendimento Social espalhados por São Paulo.

No programa, as famílias são acompanhadas por uma equipe multidisciplinar nas áreas de psicologia, educação, nutrição, geração de renda e serviço social – que buscam soluções para as demandas identificadas, sempre priorizando a conquista da autonomia das famílias.

Importância das ongs

O trabalho das ONGs é essencial por serem agentes de mudança, mobilizando esforços e recursos para causas importantes e, muitas vezes, negligenciadas. Elas complementam o trabalho do governo, atendem a necessidades específicas da sociedade, defendem direitos e contribuem para uma sociedade mais inclusiva, consciente e sustentável.

O Instituto C entrega impacto social, e esse produto é revertido para a sociedade. Todos saem ganhando”, afirmou Vera. 

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O que é ESG e como implantar na sua empresa?

Você com certeza já se deparou com a sigla ESG por aí! A abordagem do termo tem ganhado cada vez mais importância no mundo dos negócios e dos investimentos. De forma simples, a sigla ESG refere-se a três palavras:

  • Environmental;
  • Social;
  • Governance.

Que significa: Ambiental, Social e Governança e representa uma forma de avaliar até que ponto uma empresa trabalha em prol de objetivos sociais e o seu impacto nessas diferentes áreas.

Aqui, vamos explicar o que é ESG, porque as empresas precisam investir nessa agenda e, claro, como fazer o S do social com o Instituto C

O que é ESG?

ESG é uma abordagem de investimento e avaliação corporativa que considera fatores ambientais, sociais e de governança. O termo representa a preocupação com a sustentabilidade e responsabilidade das empresas em relação ao meio ambiente, suas práticas sociais e seu modelo de governança interna.

O E do ESG

O “E” refere-se a fatores ambientais, como a gestão de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa, uso de energia renovável, gestão de resíduos, entre outros. O objetivo é avaliar como uma empresa aborda questões ambientais e seu compromisso com a sustentabilidade.

O S do ESG

O “S” em ESG refere-se a fatores sociais, que englobam as práticas e políticas de uma empresa em relação aos seus funcionários, comunidades locais, cadeia de suprimentos e impacto social mais amplo. Isso pode incluir a diversidade e inclusão no local de trabalho, segurança e saúde dos funcionários, envolvimento comunitário e relações com clientes.

O G do ESG

O “G” em ESG refere-se à governança corporativa, que diz respeito à estrutura e aos processos de tomada de decisão dentro de uma empresa. Ou seja, trata-se da composição do conselho de administração, a remuneração dos executivos, a transparência financeira, a auditoria e a responsabilidade corporativa.

Porque as empresas precisam investir em ESG?

Cada vez mais, os três critérios são utilizados para avaliar o desempenho das empresas, identificar riscos e oportunidades, e guiar decisões de investimento com base em considerações ESG. A adoção de práticas sustentáveis pode levar a oportunidades de negócios, como a criação de produtos e serviços inovadores, a entrada em novos mercados e o acesso a investidores comprometidos com a sustentabilidade.

Além disso, investir em ESG demonstra o compromisso da empresa com práticas responsáveis, o que pode aumentar a confiança dos stakeholders, melhorar a reputação da empresa e fortalecer as relações com os clientes e funcionários.

E mais: empresas que adotam práticas sustentáveis e responsáveis tendem a ser mais resilientes, a atrair investidores comprometidos com a sustentabilidade e a ter um melhor desempenho no mercado. Ou seja, é uma abordagem estratégica que considera não apenas o sucesso financeiro de curto prazo, mas também a sustentabilidade e a responsabilidade a longo prazo.

Como implantar ações que atendam ao S do ESG com o Instituto C?

Agora que você já sabe tudo sobre ESG, que tal colocar o S em prática? O social pode abranger diversas áreas de uma empresa – da diversidade e inclusão ao envolvimento com a comunidade. “Geralmente, as empresas procuram a gente para realizar o voluntariado corporativo com seus funcionários”, introduz Paloma Costa, responsável pela área de Parcerias do Instituto C.

No ano passado, realizamos diversas ações de voluntariado corporativo com empresas, um exemplo foi com a Google a ação Trocando História para Conectar Pessoas – proporcionando a conexão entre 15 colaboradores e 9 famílias em extrema vulnerabilidade social. O grupo de colaboradores conheceu as histórias das famílias, entendeu suas realidades e necessidades e, a partir desse envolvimento, contribuiu com a melhoria das condições de vida dessas famílias com a doação de itens de extrema necessidade, como fogão, cama hospitalar, cadeiras de rodas e outros itens.

Paloma explica que o primeiro passo para uma ação em conjunto é construir com a empresa uma atividade que faça sentido para ela e, claro, ajude o Instituto. “Esse ano vamos repetir a parceria com o Google, onde eles irão atuar no Polo da Zona Norte, reparando alguns espaços e dando vida a uma horta vertical e a um mural onde colocaremos as atividades da semana”, explica.

Outro bom exemplo foi a ação feita com a Salesforce, na qual os funcionários da empresa fizeram um mutirão para lançamento de notas fiscais. “Separamos os voluntários em equipes e fizemos uma gincana para ver qual equipe cadastrava mais notas. Foi uma manhã super divertida e que gerou o cadastramento de mais de 300 notas fiscais a favor do Instituto C – um trabalho que é essencial para gerar receita para nós”, celebra Paloma.

Existem muitas outras formas de cumprir o S da agenda ESG com o Instituto C, como por exemplo: compor o grupo de empresas apoiadoras da causa com uma doação mensal, as empresas criam um vínculo com a instituição e passam a receber relatórios mensais de impacto social, informações que podem compor o relatório social da empresa.

Podem realizar doações pontuais para alguma ação específica e podem fazer o marketing de causa. “Uma ação muito legal que não envolve investimento financeiro inicial. As empresas que comercializam produtos ou serviços podem implantar uma campanha pontual ou recorrente que destina parte da venda de algum produto ou serviço para o Instituto C, assim, elas apoiam o desenvolvimento de nossos projetos e criam um produto social na empresa”, explica.

Paloma relembra uma outra opção na qual as empresas podem levar o social para suas áreas de abrangência. “A organização que tem uma fábrica, por exemplo, pode fortalecer a comunidade do entorno levando um Polo de Atendimento do Instituto C para essa região. Esse modelo é desenhado em conjunto com a empresa para atender diretamente a necessidade da comunidade que ela está inserida. Esse modelo de parceria é muito interessante para a empresa, pois ela irá gerar impacto positivo na comunidade com uma organização que já tem experiência em fazer esse trabalho”, finaliza.

Cada vez mais as empresas serão cobradas a implantar ações ESG e comprovar o impacto dessas ações. A melhor forma é realizando ações em conjunto com organizações sociais sérias como o Instituto C. Deseja falar conosco sobre esse assunto? Entre em contato pelo WhatsApp 11 94581-9225.


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Adolescentes: a importância de um olhar integral também aos irmãos das crianças com deficiência

“Com essa percepção, temos desenvolvido um trabalho com um olhar mais atento aos adolescentes das nossas famílias.  Observamos que pouco era trazido sobre eles pelas mães, e quando mencionados era sempre como rede de apoio à mãe e ao irmão(a) com diagnóstico. Ao realizar atendimento com o adolescente, parando para escutá-lo, mostrando interesse por ele e não pela criança com o diagnóstico, enxergamos muitas questões, como a baixa autoestima, faltas escolares excessivas com prejuízo na aprendizagem escolar, por exemplo, nos levando a percepção, de que, por vezes,  esses adolescentes ocupam um não lugar, ficando em segundo plano”, introduz Lualinda Toledo, pedagoga do projeto.

Adolescentes

Questões psicológicas, educativas e até físicas acabam atingindo esses adolescentes e passam despercebidas pela família e sem o olhar dos serviços e órgãos de proteção. Daí, a necessidade de um olhar atento e integral a todos que compõem a família e cercam àquela criança com diagnóstico. O polo centro (com o programa PAF – Plano De Ação Familiar) é considerado o primeiro projeto do Instituto C e, desde 2012, atende famílias de crianças que têm alguma doença grave ou crônica e que vivem em situação de vulnerabilidade social. Com o objetivo de auxiliar as famílias na superação das dificuldades e construção da autonomia, a equipe oferece atendimento multidisciplinar nas áreas de renda, serviço social, educação, nutrição e psicologia.

Um dos destaques e diferenciais dos atendimentos é o olhar atento das técnicas a todos os integrantes da família, e não apenas na criança com diagnóstico, incluindo os adolescentes que, muitas vezes, acabam ficando em segundo plano – ocupando o lugar de “irmão mais velho”, “cuidador” ou até mesmo “responsável”.

Um olhar multidisciplinar para toda a família

Todas as técnicas conseguiram perceber durante os atendimentos alguma questão em torno desse jovem. A partir desse olhar multidisciplinar pudemos ir percebendo a necessidade de mais cuidado para com esses adolescentes”, conta Lualinda. Isso acontece porque, muitas vezes, essas mães (que também são em sua maioria solos) voltam a atenção para a criança com diagnóstico e, então, o jovem se vê em um lugar de responsável pelo irmão. Ainda nesse contexto, estando em situação de vulnerabilidade social, também existe a necessidade de ele começar a trabalhar cedo para auxiliar na renda dentro de casa.

A psicóloga Claudete Marcolino afirma que esse adolescente, irmão da criança com diagnóstico, muitas vezes se coloca em um lugar de responsável pelo outro. “E isso não aparece verbalizado no discurso durante os atendimentos porque a família não tem noção desse lugar porque ele é naturalizado. É o jovem que faz a leitura da necessidade disso, seja pela ausência de uma função paterna ou pela necessidade de uma rede de apoio que muitas vezes é ausente”, explica.

“São múltiplas questões que vão atravessando esse lugar do adolescente enquanto irmão que, muitas vezes passa despercebido pela família, e aí nós, enquanto equipe multidisciplinar, também temos esse olhar para ele” – Claudete Marcolino

Claudete completa que tudo isso  também pode afetar no distanciamento da adolescente com a mãe e no vínculo afetivo . “A jovem se afasta da função materna porque esse lugar é direcionado para a outra criança, e acaba sendo negligenciado a ela. Em alguns casos, vemos meninas que engravidam precocemente, que desejam sair de casa ou que se relacionam afetivamente de forma imatura justamente para sair desse conflito familiar e  do lugar de cuidados assumidos ”, diz a psicóloga.

Áreas de atendimentos

Esse cenário pode ser percebido em diferentes áreas dos atendimentos e em diferentes níveis. Na área de renda, por exemplo, nós observamos que, muitas vezes, o pai se ausenta de suas obrigações, a situação financeira se complica com a chegada de uma criança com diagnóstico e o adolescente se vê na obrigação  de ir trabalhar para auxiliar a família – e até abrir mão do que pode ser dele também”, cita Lualinda.

Já na área da educação, o apagamento é percebido dentro da escola. “Por vezes, ao ligar na escola, eu consigo saber a situação do irmão com o diagnóstico, mas do jovem não”, explica a pedagoga. Lualinda observa também que em muitas famílias o próprio adolescente não quer estudar no mesmo horário do irmão porque ele já sabe que será acionado pela escola. “Ele não tem identidade naquele espaço, ele é o irmão da criança que tem deficiência”, completa. Isso sem falar nas questões de falta escolar que prejudicam o andamento da educação. 

Na área da psicologia, então, os desdobramentos são ainda mais expressivos. “O que chega é um adolescente com baixa autoestima, falta de cuidado e se sentindo menos valorizado pela família“, conta Claudete – que percebe também que, as  queixas em sua maioria se dão referente   ao comportamento de  agressividade do adolescente. “E aí a gente observa que isso é um comportamento intrínseco a esse lugar de, por exemplo, falar mais firme com os irmãos e de estar em um lugar de autoridade que não foi lhe dado, mas foi interpretado como sendo necessário”, completa.

Os impactos também atingem a nutrição do jovem, já que a mãe centraliza o alimento um pouco mais saudável para garantir que isso vá para a criança com deficiência, na área social, percebemos que  a Rede,  não  presta   um atendimento extensivo aos demais integrantes da família. “Faltam políticas públicas que sejam agentes facilitadores dessas redes assistenciais e da saúde  que possam ser um mediador entre os serviços que atende a família, por exemplo“, afirma Claudete.

Estratégias para além desse olhar

A partir de todo esse contexto, é possível compreender a urgência e a importância de se olhar para esses adolescentes. A psicóloga reforça que é, justamente, nessa fase da vida onde são construídos muitos comportamentos futuros. “A adolescência já é uma fase de transição, o jovem  está se estabelecendo e se reconhece em seus lugares. Por isso, algo que eu venho pesquisando é o não lugar desse adolescente na família com crianças com deficiência. A adolescência, de maneira geral, já é uma fase de busca de um lugar, de afirmação da identidade. Então, o jovem que é o irmão de uma criança que tem diagnóstico, passa por um processo ainda mais adoecedor emocionalmente porque ele fica em um limbo identitário, como se ele, de fato, não pertencesse a essa família porque todos ficam em torno dos cuidados da criança. E, a sequela disso pode ser permanente, quando não cuidado, pode vir a  se manifestar na fase adulta”, explica Claudete.

Pensando nisso tudo, o Instituto C tem pensado e colocado em prática algumas estratégias que visam também o atendimento dos adolescentes – já que seus direitos são garantidos, mas estão negligenciados. “Começamos com uma roda de conversa aberta para uma primeira aproximação com esses jovens, explicando o projeto e nos colocando à disposição para a escuta”, conta.

“Um jovem que, não se reconhece em sua identidade e não tem firmeza na sua autoestima, pode vir a ter dificuldades para  fazer o enfrentamento das adversidades  em sua vida”– Claudete Marcolino


A conversa se desdobrou em atendimento em grupo com estagiários da Psicologia para  todos os adolescentes das famílias, fornecendo um auxílio financeiro para viabilizar que todos estejam presentes”, celebra Claudete. Com essa escuta técnica, mais questões também apareceram, como a necessidade de psicoterapia individual para alguns adolescentes com fragilidades emocionais mais críticas,  encaminhamentos para oftalmologista, dentista e outras  especialidades. “A partir disso, estamos construindo outras estratégias centradas  para esses adolescentes, de um cuidado ainda mais integral para esses jovens do Instituto C”, finaliza a psicóloga.


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