Premiações

É tetra! Instituto C é eleito uma das 100 Melhores ONGs 2020

Na última quinta-feira, 10 de dezembro, aconteceu a premiação Melhores ONGs que reconheceu o Instituto C entre as 100 melhores organizações do Brasil pela quarta vez consecutiva. “Estávamos ansiosos pelo resultado, afinal, fomos eleitas uma das 100 melhores ONGs, nos últimos três anos. Esse prêmio chega para coroar o trabalho de cada um de nós em um ano tão desafiador.”, comenta Vera Oliveira, Gerente Geral e Fundadora do Instituto C.

O prêmio é uma parceria do Instituto Doar, da agência de projetos socioambientais O Mundo Que Queremos e da Ambev, com respaldo técnico de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apoio da Fundação Toyota do Brasil e seleciona as melhores organizações no quesito Governança, Transparência, Comunicação e Financiamento desde 2017. “Obviamente ser transparente a ponto de ganhar um reconhecimento como o Melhores ONGs do Brasil exige um investimento em contabilidade, auditoria externa, comunicação e horas de trabalho da equipe, mas também é reconhecer suas falhas como organização, principalmente para seus investidores, mostrar o que deu certo e o que deu errado nos seus projetos e estar em evolução contínua.”, explica Diego Schultz, Gerente Institucional do Instituto C.

Ao todo, 670 organizações se inscreveram no Melhores ONGs, que é a maior premiação do terceiro setor do Brasil. “Em razão da pandemia, esse ano foi ainda mais desafiador do que nunca para as organizações que trabalham para cuidar das pessoas, da sociedade, do meio ambiente. É por isso que o reconhecimento do Prêmio Melhores ONGs este ano é especial”, disse Marcelo Estraviz, diretor do Instituto Doar.

Ao saberem do resultado, os colaboradores celebraram o reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido este ano. “Que sucesso! Reconhecimento da força de trabalho e das transformações! Celebro a todas e todos que compõem esses laços.”, comentou Nayara, Psicóloga do projeto PAF. Talita Lima, líder do projeto Educação em Rede, também reforçou o coro. “Que notícia boa, que demais! Orgulho em poder celebrar este prêmio mais um ano!”.

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Artigo | O efeito da transparência nas ONGs

Na última sexta-feira (27|11), recebemos com muita alegria a confirmação de que o Instituto C havia sido eleito pelo 4º ano seguido uma das 100 melhores ONGs do Brasil, conquista que apenas um seleto grupo de 12 organizações têm.

Isso me fez refletir o convite recent feito por Wesley Braga para responder uma pesquisa acadêmica no curso de Accounting and Finance Management da Griffith College, cujo foco era entender os efeitos da transparência para organizações sociais sem fins lucrativos no Brasil.

A razão do convite havia sido em função do Instituto C ser eleito por 3 anos consecutivos, 2017-2019, como uma das 100 melhores ONGs do brasil nos quesitos gestão, transparência e planejamento. Uma das perguntas que mais levantou dúvida entre os gestores das organizações foi: manter padrões de transparência aumenta as despesas da  entidade?

A minha resposta foi: depende. Isso porque a interpretação de transparência e de despesa varia. Na pesquisa, 58% (22 de 38) dos entrevistados concordaram que a manutenção dos padrões de transparência aumenta os custos das organizações, enquanto 42% (16 de 38) discordaram. Eu estou com os que discordam, mas, na verdade, os dois estão certos.

Obviamente ser transparente a ponto de ganhar um reconhecimento como o Melhores ONGs do Brasil exige um investimento em contabilidade, auditoria externa, comunicação e horas de trabalho da equipe, mas ao mesmo tempo esse investimento é mitigado pelo aumento de doações, patrocínios e recursos em geral. Dentro da pesquisa das organizações que conseguiram medir o impacto de receber o prêmio melhores ONGs , 51% tiverem um aumento médio de 10% nas doações relacionado ao prêmio.

Porém, ser transparente vai muito além do auditoria externa e de publicar o balanço no site da organização. Ser transparente é reconhecer suas falhas como organização, principalmente para seus investidores, é mostrar o que deu certo e o que deu errado nos seus projetos. É ser transparente na relação com seus funcionários, beneficiados, conselho, apoiadores e stakeholders em geral, e sempre estar aberto para o diálogo e para mudança em benefícios da sua missão.

Não importa se é você é uma organização pequena dentro de uma comunidade ou uma ONG gigante internacional. Ser transparente é essencial.

Por isso, é com muito orgulho que recebemos o prêmio Melhores ONGs, algo que só é possível com o envolvimento de todos os stakeholders do Instituto C, esse reconhecimento é nosso.

Diego Schultz é Gerente Institucional do Instituto C

Gestão de PessoasServiços IC

Pedro Henrique, o menino que queria ser prefeito

Quem escuta a voz doce do Pedro Henrique (11) no áudio em que ele conta para sua mãe, o que ele faria como prefeito da maior cidade do país, deve ficar pensando de onde vem todas aquelas ideias. “Eu vou comprar milhares de hotéis para as pessoas morarem e para as pessoas que não conseguirem vaga, eu vou comprar vários e vários cobertores quentinhos”.

 

É que, Pedro Henrique, além de criativo como a maior parte das crianças na sua idade também tem um exemplo que vem de dentro de casa ou melhor, vem da trajetória de sua mãe, Juciara, nas ruas de São Paulo. Jully, como gosta de ser chamada, encontrou no movimento de ocupações da cidade sua luta para um mundo melhor e o resultado já ecoa nos desejos de seu filho. Mesmo tendo ficado quatro anos longe de sua mãe, Pedro sabe o valor e a importância desta relação de afeto para o seu crescimento. “Eu vou arrumar uma família boa, bonita, uma família ótima para as crianças que moram na rua, elas precisam de alimento, coração, uma mãe verdadeira, que ame, que aprenda a cuidar de um filho e de uma filha.”.

 

Pedro e seu irmão Matheus Henrique (15) participam do projeto Educação em Rede desde fevereiro deste ano quando Juciara procurava projetos voltados à Educação para auxiliar as crianças que vivem na Ocupação José Bonifácio, localizada na região da Sé, durante a pandemia. “Marcamos uma reunião para ver como poderíamos participar do projeto. Quando o Pedro viu o projeto, ele amou. Ele tinha um problema na escola, porque na escola existe pouca escuta.”.   

 

Além da escuta, o projeto Educação em Rede também era visto por Jully como uma forma de manter as crianças em um caminho de aprendizado, afinal de contas, ela entendeu na prática a importância do conhecimento para transformação da sua vida. “Fui até a Câmara Municipal pela primeira vez depois do despejo, nestes anos de luta, fui aprendendo muito coisa. Meu maior orgulho foi pisar dentro de uma ocupação, o movimento me ensina todo dia. Meu objetivo agora é entrar na Faculdade e cursar Serviço Social.”. 

 

Além de Pedro Henrique e Matheus Henrique, Jully morava com sua terceira filha, Anna Blyatriz e sua mãe no Jardim Brasil quando, em 2014, recebeu a ordem de despejo que mudaria a sua vida. “Guardo a ordem de despejo até hoje porque foi um momento de virada”. Sem ter para onde ir, ela se viu obrigada a colocar a mãe e os filhos dentro de um ônibus com destino ao Maranhão. “Minha mãe levou meus filhos para eles não ficarem na rua. Foi um baque muito grande ficar longe deles, mas eu não tinha nada, só a roupa do trabalho.” conta com a voz embargada. 

 

Depois de morar um tempo na rua, Jully conseguiu encontrar acolhimento em uma ocupação no centro da cidade. “Quando fui para a primeira Ocupação, fui entendendo um pouco mais do que era o movimento, fui vendo mulheres empoderadas, fui vendo aquelas mulheres, fui me engajando, me fortaleci.”. Após 6 meses, a Ocupação teve reintegração de posse e Jully viu sua vida começar do zero novamente. “Me fortaleci de novo. Quando eu achava que o mundo ia parar, essas mulheres me ajudaram, foi tudo uma proteção de rede.”. Foi neste processo que Jully se tornou uma das líderes do movimento e da ocupação José Bonifácio, na qual mora até hoje.

 

Estabilizada na nova ocupação e muito mais forte e empoderada, Jully conseguiu trazer seus filhos de volta para São Paulo em 2018, depois de quatro anos distantes. “Meus filhos e minha mãe sofreram muito no Maranhão. Meus filhos amadureceram com a vida. Depois de 1 mês que minha mãe voltou para São Paulo, ela faleceu. Parece que ela veio apenas se despedir da gente.”. 

 

Hoje, além de defensora assídua dos Direitos Humanos, Jully passou a participar de diversos movimentos sociais e é membra executiva do Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolecente e também participa do Conselho da Saúde. A energia e o incentivo não mudaram com as novas funções, nem mesmo com a pandemia, nem o trabalho como mãe, afinal de contas, ela, assim como Pedro Henrique, sabe da importância do contexto familiar. “Vou fazer de tudo para os meus filhos terem um estudo, o conhecimento é a base de tudo.”. Enquanto isso, Pedro continua sonhando com uma cidade e um país melhor para todo mundo. “Mãe, você não está bem? Mãe, eu te amo! Eu vou ser presidente do Brasil.”.

 

PAFRodas de Conversa

Rodas de Conversa | Expectativa x Realidade 2020

Em novembro, o PAF – Plano de Ação Familiar começou a tratar de um novo tema nas rodas de conversa: Expectativa x Realidade. A Psicóloga do projeto, Nayara Oliveira, conduziu o encontro com as famílias e iniciou a atividade com uma breve explicação sobre o tema escolhido. “Estamos chegando no fim do ano e como estamos fazendo rodízio entre as famílias, mês presencial, mês virtual, este é nosso último encontro. Por isso, lembramos daquela brincadeira da internet Expectativa x Realidade. Pensamos que seria interessante falar sobre as expectativas que tivemos no início do ano, sobre as realizações e sobre aquelas que não foram atendidas. Eu mesma fiz muitos planos no começo do ano e muitos não puderam ir para frente porque a realidade se mostrou diferente.”, explicou.    

 

As participantes, na sua maioria mulheres, puderam falar um pouco sobre os anseios que tomaram conta das suas vidas com o início da pandemia em março deste ano. “Quando começou a quarentena, eu quase surtei em casa. Comecei o ano cheia de expectativas, tenho 3 crianças e sou apenas uma mãe, de repente estávamos todos trancados em casa, elas com toda aquela energia dentro de casa. Teve dias de não saber se era segunda, terça, perdi a noção. Minha sensação é a de que não fizemos nada. Você só vê passando os dias.”, comentou Ivete Santos de Almeida, que participava pela primeira vez da roda.

 

Para Nayara, é comum que esta relação com o tempo seja alterada em um momento como este. “Nos sentimos um pouco perdidas, uma sensação de mesmice, somado a isso, tememos a morte e, ver isso muito próximo, em uma realidade mundial, também tem efeitos, nós sentimos medo do que pode acontecer.  Por isso, o ponto central aqui é se existe a possibilidade de deixar para trás esses medos, na esperança de alguma proteção, de que o ano que vem seja diferente, ou seja, uma vontade de ultrapassar este tempo”, comentou.

 

Edna Maria de Aquino, mãe da Ana Clara, que participa do PAF desde janeiro de 2020 concorda que o desejo é para que este ano acabe logo. “Estou tentando superar a cada dia, manter a paciência em casa. É o que tá tendo. A gente fica em pânico porque nossos filhos são do grupo de risco. A minha maior expectativa para o ano que vem é a vacina, somente quando tiver vacina, a gente conseguirá respirar novamente.”.

 

Na segunda parte da roda, as famílias sortearam um papel com o nome de outra pessoa presente na ocasião. A ideia era fazer um amigo secreto simbólico em que cada um escrevesse o que desejava ao outro para o próximo ano. O destaque ficou por conta da carta escrita pela Liliane para a Cristina, confira abaixo:

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“Bom dia Cristina, nesta carta começa aqui uma nova amizade. Quando você começou a falar vi em você uma mulher guerreira mas também uma pessoa bem alegre. 

 

Cristina, o que dizer desse ano né. Vivemos com medo sem expectativa mas graças a Deus estamos bem. Nossa família bem também. Agora vamos falando. 

 

Ano que vem que possamos nos encontrar com notícias boas para compartilharmos. 

 

Te desejo tudo de bom que não falte em sua vida e mesmo em sua casa a paz e alegria o amor saúde e pão de cada dia e que seus planos e projetos desse ano não deram certo que ano que vem se realize todos e os que você almeja de melhor venha se realizar.”

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Para Nayara, as rodas de conversa proporcionam um momento de troca importante, no qual as famílias deixam de se sentir solitárias, fortalecendo umas às outras. “Ás vezes, precisamos inventar outra estratégia, um outro jeito, porque a realidade se mostra diferente. E essa realidade se apresenta de forma muito dura, produzindo traumas, medos, perdas… muitas perdas e a dificuldade de não poder viver o ritual destas perdas. (…) E eu ouço isso de maneira simbólica, as vezes, pelo simples fato de não estar convivendo próximo dos seus, sentimos nossa batalha solitária, mas ouvir das famílias que, ainda que tudo isso esteja acontecendo, elas estão mantendo a esperança e um desejo de esperança que ajuda a encontrar forças. Acredito que isso nos fortalece de alguma forma.” finaliza.  

Áreas de atendimentoServiços IC

Conquistas importantes para as famílias do Educação em Rede

Apesar da taxa de desemprego ter alcançado nível recorde, mães atendidas pelo Educação em Rede comemoraram a conquista de empregos no último mês. O trabalho, ou a falta dele, é uma das principais questões trazidas pelas famílias durante o atendimento com a Assistente Social, Vanessa Gonçalves. “Eu fico sempre atenta às vagas de emprego quando passo em algum lugar e vejo a placa de contratação já anoto tudo para passar para as famílias”, explica.

 

Por este motivo, Vanessa acaba participando ativamente destes processos, com orientações e encaminhamentos, como o que aconteceu com Ana Cláudia, Lucinete e a Claudiane que estavam cheias de expectativas com relação aos processos seletivos. “Sempre falo palavras positivas e de incentivo quando elas me dizem que estão indo para processo seletivo, conversamos sobre a importância de correr atrás e não deixar a ansiedade tomar conta de tudo. Juntas conseguimos alcançar bons resultados.”. Outra demanda importante apareceu durante atendimento da Patrícia, mãe de Naryelle, que precisava de cinco indicações para serviço como diarista, sem vínculo empregatício, em residências na região do ABC e encaminhou outras cinco famílias que participam do projeto. 

 

A questão em torno do desemprego e de ocupação em atividades formais sempre esteve presente na rotina dos atendimentos do projeto, porém, diante do momento vivido, em decorrência da pandemia, este cenário se agravou, alcançando 14,4%, a maior taxa de desempregados desde 2012,  segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), números certamente refletidos nas famílias atendidas. “A falta de renda tem sido a principal demanda trazida pelas famílias que estamos atendendo. Com a pandemia, muitas famílias perderam seus empregos e quem já estava desempregado, viu sua situação se agravar ainda mais, dificultando a reinserção no mercado de trabalho. Hoje posso dizer que a maior demanda dos atendimentos é a busca por empregos.”, comenta Vanessa.

 

Nestes casos, Vanessa encaminha as famílias para o Posto de Atendimento ao Trabalhador da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (PAT), localizado na Rua Boa Vista e para o Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo – Cate, na Avenida Rio Branco, ambos na região central de São Paulo. Sensível ao problema, ela passou a ficar ainda mais atenta a possíveis vagas de trabalho com o perfil destas famílias. “A todo instante eu faço a busca e seleção de vagas que atenda aos perfis profissionais das famílias, depois repasso esses dados para os interessados. Além dos responsáveis que buscam ativamente por essas oportunidades, também compartilho essas informações com as demais famílias por meio do grupo do WhatsApp. Repasso o link de grupo de empregos, o qual faço parte, para que possam ser adicionados, possibilitando o acompanhamento das vagas disponíveis.”.

 

“Estas conquistas são sempre muito importantes, não somente para as mães, mas para nós todas do projeto e o Instituto como um todo.”, finaliza Vanessa.

Gestão de Pessoas

Artigo |ONGs e empresas são mais semelhantes do que imaginam

Quando encerrei minha carreira executiva há dois anos, tracei uma meta de dedicar 25% do meu tempo a ações sociais e de impacto positivo. Foi então que conheci o Instituto C. A proposta de ajudar crianças e famílias vulneráveis me sensibilizou desde o primeiro instante.

 

Meu objetivo foi trazer a experiência acumulada no mercado corporativo para ajudar na gestão do instituto. Tenho feito isso há dois anos e estou muito feliz porque vejo os resultados aparecerem e, desta forma, temos conseguido ajudar muitas pessoas.

 

Ao fazer uma reflexão sobre minha trajetória profissional, vejo muitas similaridades entre a gestão de uma ONG como o Instituto C e de uma empresa. Gestão se aplica a qualquer tipo de negócio, seja ele pequeno, médio, grande, startups ou ONGs. Todas essas organizações têm a necessidade de administrar recursos, por meio de pessoas, para atingir determinados resultados.

 

Para isso, precisamos aplicar bem os recursos financeiros, atrair profissionais alinhados com os valores e propósito da organização e estimular o trabalho em equipe e a motivação das pessoas. O ser humano não difere muito nas suas aspirações e necessidades profissionais, mesmo em organizações distintas. Pessoas precisam de apoio, feedback, treinamento, querem crescer e se realizar na sua profissão, usando seu potencial e sua criatividade. Tudo isso, nós, como líderes, precisamos proporcionar às pessoas, além de respeitá-las e dar oportunidades de desenvolvimento.

 

Tão importante quanto a gestão de pessoas é a gestão de processos, imprescindível para o êxito de qualquer tipo de organização, inclusive as ONGs. Com relação a este aspecto, menciono a necessidade de planejamento, de ter metas bem definidas e projetos inovadores.

 

Mesmo com todas as semelhanças, pude notar, nestes dois anos, duas diferenças significativas entre a gestão de uma ONG e de uma empresa. A primeira delas é que uma ONG já nasce com o propósito de impactar positivamente a sociedade e, justamente por isso, precisa comunicá-lo de maneira intensa, pois o propósito de ajudar toca o coração das pessoas e atrai muitos talentos. Em uma empresa privada isso é mais difícil, pois há necessidade de gerar lucro para os acionistas. Mas já existe um movimento na sociedade para que as empresas atendam às necessidades de todos os stakeholders, incluindo a sociedade e o meio ambiente.

 

A outra diferença é que uma ONG não visa o lucro. Ao contrário de uma empresa privada que precisa ser rentável para atrair investidores, uma ONG é mensurada pelo impacto que causa com seu propósito. Mas isso traz um grande desafio que é a busca de recursos financeiros para sustentar a ONG, o que demanda da liderança uma habilidade diferenciada para divulgar os projetos, atraindo pessoas e outras organizações dispostas a apoiar com recursos financeiros.

 

Tanto empresas privadas como ONGs cumprem papeis importantes na sociedade e possuem desafios que demandam gestão e lideranças preparadas para garantir sua perenidade no longo prazo. Eu parabenizo o Instituto C por seu propósito e resultados. Fico muito feliz e orgulhoso de poder ajudar com minha experiência executiva no Conselho Consultivo e também com mentoria para as lideranças do instituto. Vida longa ao IC!

 

Francisco Deppermann Fortes

PAF

Essa é a história da Cleunice e da Melissa

Essa é a história da Melissa (5). Ela e sua mãe Cleunice chegaram ao PAF – Plano de Ação Familiar em novembro de 2019, encaminhadas pelo Hospital Santa Casa. Donas desses lindos sorrisos, Cleunica e Melissa compartilham e celebram todas as conquistas e mudanças que vêm acontecendo junto da família, composta também por Kevi (20) e Alice (18), desde o início dos atendimentos.

Todos eles têm um cuidado muito especial com a caçulinha e Cleunice se mostra sempre disposta a adquirir novos conhecimentos que auxiliem no desenvolvimento da Melissa, diagnosticada dentro do transtorno do espectro do autismo. Quando iniciaram sua jornada aqui no Instituto C, elas aguardavam uma vaga para acompanhamento no CAPS da Zona Norte e tinham pouco conhecimento sobre a rede de serviços e benefícios disponíveis. 

Em cada atendimento multidisciplinar, Cleunice tem se fortalecido, expandido seus conhecimentos sobre direitos sociais e aumentado o seu protagonismo. Sabemos que ainda existe um longo caminho a ser trilhado, por isso, mesmo durante a pandemia, continuamos em contato de forma virtual e, por meio de mensagens e ligações, seguimos trocando informações e muito afeto. 

PAFServiços IC

PAF ganha ainda mais força com novidades

Em outubro o PAF – Plano de Ação Familiar ganhou ainda mais força com algumas novidades que ampliarão a atuação da equipe técnica do projeto junto às famílias. A entrada de novos membros na equipe, novas parcerias e uma nova liderança para o projeto são algumas das conquistas que o PAF celebrou nas últimas semanas.

  

A primeira novidade diz respeito às parcerias com outras instituições da rede socioassistencial, como o Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante (CRAI) e a Delegacia da Mulher do Bela Vista. “A parceria é um estreitamento de laços, tanto da gente conhecer mais do trabalho deles, como eles conhecerem mais do nosso trabalho. Fizemos algumas reuniões e aprendemos ainda mais sobre os serviços destes novos parceiros”, comentou Katia Moretti, responsável pelo projeto. Para ela, esta proximidade facilitará ainda mais o direcionamento das famílias, já que agora o projeto tem um contato direto dentro de cada um destes parceiros. “Atendemos algumas famílias que são imigrantes e agora poderemos fazer encaminhamentos direcionados, discussão de caso com a rede e um acompanhamento mais específico das demandas, dessa forma também orientamos melhor as famílias e ampliamos a sua rede de apoio.”

Algumas contratações e movimentações na equipe também ajudam a fortalecer o projeto, entre elas, a contratação de uma nutricionista, Ana Hummel, e uma nova Assistente Social, Karen Magri, completando assim o atendimento multidisciplinar característico do PAF. O projeto também está com uma nova liderança, Katia Moretti, responsável pela área de Educação Financeira há dois anos e que agora passará a liderar a equipe do PAF. “Estamos muito felizes e confiantes com essa decisão de ter a Katia como líder do projeto. Desde janeiro estávamos com esta posição em aberto e analisando com calma quem poderia encarar este desafio. Não poderíamos ter feito escolha melhor.”, comentou Vera Oliveira, Gerente Geral do Instituto C.

E não acaba por aí, durante o Grupo de Encerramento na última semana, a equipe técnica do PAF anunciou que ficará à disposição das famílias, que estão deixando o projeto, por telefone e whatsapp. Novidade que só foi possível por conta da pandemia que levou o projeto a fazer atendimentos virtuais. “Eu só tenho a agradecer mesmo por tudo, ainda mais agora que vocês deixaram a comunicação em aberto, qualquer coisa que precisar a gente pode mandar mensagem, eu acredito que eu vou mandar.” comentou Mislene, atendida pelo PAF desde 2018. 

“A importância de tudo isso é que conseguiremos qualificar ainda mais o nosso atendimento com as famílias.”, finalizou Katia.  

PAF

Emoções que se misturam no Grupo de Encerramento do PAF

“Já sinto saudade” foi a frase mais repetida pelas famílias durante o grupo de encerramento que aconteceu na última sexta-feira, 16 de outubro, na sede do Instituto C. “Este é um momento muito especial, muito importante e emocionante para todos nós. Eu estou aqui há um ano acompanhando essas famílias, então, para mim é uma alegria, ao mesmo tempo que o coração fica triste com este encerramento de ciclo.”, anunciou Nayara Oliveira, Psicóloga do projeto, na abertura do encontro.

Este foi o primeiro grupo de famílias a encerrarem a participação no projeto PAF – Plano de Ação Familiar desde que a pandemia teve início, então, a equipe técnica precisou usar a criatividade para garantir que o encontro tivesse a troca de afetos, tão comum neste momento. “Nós sabemos, pelos outros grupos de encerramento, que é um momento que nós temos muita vontade de trocar carinho em forma de abraço e infelizmente, agora, não podemos. O abraço, nós acreditamos, simboliza muitas coisas. Há pesquisas que mostram que podemos até nos curar por meio do abraço. Mais do que isso, é o encontro de dois corações, é um momento que dá contorno ao nosso corpo, quando a angústia extravasa o nosso corpo, mas poder encontrar uma outra pessoa que contorna, conforta e acolhe é muito importante. Sentimos muito por não poder dar esse abraço hoje, por isso, fizemos corações de papel e estimulamos as famílias a entregarem este afeto.”, explicou Nayara.      

Após a abertura, a equipe técnica do PAF fez a leitura das trajetórias de cada família, as quais se levantaram uma a uma para pegar o certificado de participação e uma carta com fotos e um texto parabenizando a jornada. O trabalho de toda a equipe técnica do PAF salta aos olhos neste momento de agradecimento. “Neste tempo, eu consegui me redescobrir como mãe, porque, assim, eu estava com aquelas crianças todas, sozinha, perdida, eu acabei me deixando de lado para cuidar deles. Eu consegui tirar um tempinho para me cuidar mais como mulher, porque eu já não me sentia mulher mais, consegui tempo, porque eu não tinha esse tempo.”, explicou Mislene Campos, mãe de cinco filhos, sendo quatro deles com necessidades especiais, e que contou com o auxílio da Psicóloga para isso desde janeiro de 2018. Conforto e cuidado também encontrados por Fernanda Moreira, mãe da Alice que entrou no projeto em junho de 2018. “Já tinha uns três anos que eu tomava remédio e medicamento para poder ter um ânimo, para poder me manter acordada para fazer as coisas, porque eu estava muito desanimada, passando por uma dificuldade psicológica. Hoje eu não tomo mais medicamento, estou há bastante tempo sem tomar e graças a toda conversa e orientação, hoje, eu consigo ser uma pessoa mais segura”.

Para Mislene, outra área importante nestes quase dois anos e meio de atendimentos foi o Serviço Social. “Eu sabia de alguns benefícios, mas não sabia de todos, mesmo os que eu sabia, eu não sabia como ir atrás e o Instituto C me auxiliou. Eu consegui os bilhetes, dar entrada no BPC de duas das crianças.”, comentou. Enquanto, Danuza Silva, mãe do Gabriel, que entrou no projeto em março de 2018, narrava os últimos encontros. “Consegui o passe livre, com a Assistente Social, para viajar com meu filho para visitar meus pais. Eles moram lá em Campo Grande, eu consegui viajar duas vezes, em janeiro e em julho. Eu estou conseguindo tentar o BPC”.

A área de Nutrição também teve papel fundamental na jornada de todas estas mulheres no Instituto C. “O Mateus tem Síndrome de Down e apresenta uma diarréia crônica. Aqui, com o apoio, com as ajudas que eu tive, eu consegui entender que eu não tinha que mudar a alimentação dele, eu tinha que mudar a alimentação da minha família, da minha casa e isso seria mais fácil para ele também. Aqui eu consegui entender que era desta forma que poderia acontecer. E através disso, eu consegui ver uma melhora muito grande no desenvolvimento do Matheus”, disse Mislene. Fernanda também percebeu a atenção e seriedade do trabalho. “Nós não tínhamos nem a dieta da Alice, não tinha nem o encaminhamento de dieta, nem nada, o pessoal da nutrição, a Jordana, me ajudou muito, tanto aos cuidados da Alice quanto aos cuidados da Jessica também, que com tudo isso ficou até esquecida, vamos dizer assim”.

 Felicidade e tristeza, emoções que se misturam entre todos os presente, mas elas reconhecem que é preciso seguir em frente e abrir possibilidades para que outras famílias ingressem no projeto e passem pela mesma transformação que elas passaram. “Hoje é o encerramento, vou sentir falta, vou sentir saudades. Fui muito bem recebida aqui”, disse Joana dos Santos Lima, que entrou no projeto em janeiro de 2019. Para Danuza, as mudanças representaram um crescimento importante. “A Danuza que entrou é uma Danuza que tinha um pouco de medo, mas que não tinha vergonha de se expor e correr atrás das coisas, tinha medo de não conseguir. Hoje eu sou uma Danuza diferente, eu sou uma Danuza que tem menos medo que eu tinha antes, eu estou muito feliz, cresci muito e aprendi muito com vocês, graças a Deus.”.

“Agradecemos a trajetória, a confiança das famílias no nosso trabalho, em partilhar histórias, medos, dificuldades, ao mesmo tempo, poder pedir e oferecer ajuda. Porque eu acredito que é uma troca, estamos aqui não só para oferecer cuidado, mas também somos cuidadas pelas famílias, aprendemos muito com todas  as famílias que passam pelo projeto.”, finalizou Nayara.

Ao todo 11 famílias encerraram sua participação no PAF, mas apenas 8 participaram do encontro presencial, são elas: Danuza Silva, Fernanda Moreira, Joana dos Santos, Mislene Campos, Fabiana de Jesus, Toil Vertu, Rosangela Maria de Oliveira, Maristela Gonçalves de Oliveira

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Artigo | Vera Oliveira e os 9 anos do Instituto C

O primeiro pensamento que vem a minha cabeça quando penso nos 9 anos do Instituto C, completados no dia 12 de outubro, é um famoso clichê “como o tempo passa rápido”.

Passou rápido demais, mas ainda quando fecho os olhos e respiro fundo,  volta a mesma angústia no peito que eu sentia toda vez que pensava que gostaria de trabalhar com alguma coisa que me trouxesse sentido, e que pelo menos o meu pedaço nesse mundão eu estaria contribuindo com a força do meu trabalho.

 Foi um período grande de busca por esse sentido, e valorizo muito cada uma das conversas, descobertas e pessoas especiais que me ajudaram a encontrar um caminho que faz todo o sentido pra mim.

 E desde esse dia que senti o “click”, toda a construção do Instituto C, as ideias iniciais, o início como uma franquia social da Associação Saúde Criança, a parceria com a Santa Casa para o encaminhamento das famílias, a espera muito ansiosa pelas primeiras famílias, imaginando qual seria a história delas, o que poderíamos fazer para auxiliá-las… são muitos momentos especiais dessa história transformadora.

 E nesses 9 anos que se passaram, desde o Dia das Crianças de 2011, o trabalho do Instituto C amadureceu, expandiu-se e fico emocionada quando penso que aquela inquietação e desejo de fazer o bem lá atrás se transformou em algo robusto e sólido.

 Nesse mês completamos 1.000 famílias atendidas por nós, no Instituto C. São 1.000 famílias que começaram a conhecer os seus direitos, passaram a acessar e ter conhecimento da rede socioassistencial e principalmente, que confiaram em nós, dividiram suas histórias conosco. Desenvolveram sua autonomia e passaram a ter mais qualidade de vida.

 Trabalhar com pessoas tão incríveis, sensíveis e motivadas, um time muito especial de colaboradores, nossos queridos conselheiros e voluntários, além de parceiros muito parceiros é o motor para que esse desejo profundo que começou a se concretizar dia 12/10/11 esteja cada vez mais vivo.

 Sou muito feliz em participar no dia a dia como uma pecinha dessa história. E desejo que o caminho do Instituto C seja abundante e potente e que a cada dia possamos trabalhar mais na direção das palavras que inspiraram o nome do Instituto C: as crianças, o cuidado e o cidadão.