Institucional

2025: um ano de sonhos realizados, novos caminhos e expansão do cuidado

O ano de 2025 nos trouxe muitas surpresas e ficará marcado na nossa memória. O IC alcançou voos sonhados há muito tempo e, com isso, o cuidado chegou a 2.490 pessoas, impactando diretamente 1.279 crianças e adolescentes. Ao longo do ano, nos preparamos, reestruturamos nosso trabalho e fortalecemos processos internos para sustentar um crescimento que já se anunciava necessário.

Esse movimento exigiu amadurecimento institucional e trouxe desafios importantes, mas também abriu caminhos para irmos mais longe. Para quem esteve na linha de frente dessas mudanças, como o nosso diretor administrativo Diego Schultz, foi possível acompanhar de perto os impactos no dia a dia. “Foram meses que exigiram resiliência, flexibilidade e muita capacidade de adaptação. Apesar — e por causa — desses desafios, 2025 também foi um ano de muito trabalho, dedicação e crescimento”, reforça.

Com as transformações, passamos a olhar para o nosso trabalho sob novas perspectivas. Atuamos com cuidado e garantia de direitos em diferentes frentes, o que nos levou a reavaliar a metodologia, avançar no uso de indicadores e implementar novas formas de acompanhar a evolução das famílias. Esse processo foi fundamental para que o IC estivesse preparado para ampliar sua atuação para além do território onde já estava consolidado.

Nesse contexto, compreendemos que nossa atuação se organiza em três frentes principais. O atendimento direto às famílias que participam das nossas atividades. A multiplicação da nossa metodologia junto a instituições que desejam qualificar suas práticas de cuidado. E a articulação voltada à incidência política e à produção de conhecimento. Essa clareza foi decisiva para sustentar as expansões que marcaram o ano.

Agora, para guardar com carinho as memórias de 2025, convidamos você a relembrar um pouco do que aconteceu por aqui.

Fortalecemos o cuidado

O cuidado faz parte do nosso DNA, e uma das formas de levarmos ele para a vida das pessoas é conversando com elas para entender suas demandas e, assim, ajudá-las a superar obstáculos. Ao todo, realizamos 4.022 atendimentos, que nos conectam com as famílias e criam vínculos para que a gente conheça mais profundamente cada uma delas.

Os atendimentos individuais possibilitam que a equipe técnica compreenda quais questões precisam de maior atenção em cada contexto, seja nas áreas de psicologia, empregabilidade, educação, nutrição ou acesso a direitos. “Cada encontro é uma oportunidade de construir vínculos, conhecer as famílias de perto e tratar os assuntos mais urgentes de forma personalizada. É assim que respeitamos a história de cada família, considerando suas vivências e singularidades”, explica Kátia Moreti, gerente de projetos do IC.

 

Já os atendimentos em grupo, por outro lado, trazem à tona discussões necessárias que fazem parte do dia a dia e são compartilhadas por muitas famílias, como saúde, acesso a equipamentos públicos, e até mesmo educação financeira. Em alguns desses grupos, a atuação de voluntários foi fundamental para garantir um acompanhamento ainda mais especializado. “São momentos em que as pessoas, que muitas vezes estão passando pelas mesmas dificuldades, se conectam”, reforça Katia. 

A parceria com voluntários também se materializou em iniciativas como a formação de adolescentes pelo Projeto Vozes do Futuro, da empresa LLYC, voltada à orientação para o mercado de trabalho. Outro exemplo foram os atendimentos sobre educação financeira conduzidos por alunos da FEA USP, que apoiaram as famílias na organização das finanças a partir da realidade de cada uma.

Além disso, a articulação no território, especialmente no Polo Zona Norte, contribuiu para fortalecer o acesso das famílias aos serviços públicos da região. Realizamos reuniões periódicas com representantes da rede socioassistencial, promovendo debates sobre temas que atravessam a vida dos moradores, e ainda participamos de eventos como o Maio Laranja, de enfrentamento ao abuso sexual infantil.

Muitas dessas conquistas também foram possíveis graças aos voluntários que dedicam tempo e talento para ampliar nosso alcance. Em 2025, além das frentes já consolidadas, como o apoio na brinquedoteca e o trabalho com a Nota Fiscal Paulista, contamos com profissionais da nutrição atuando no tema da seletividade alimentar e com apoio jurídico para orientação de casos específicos. Esse conjunto de saberes fortalece o cuidado oferecido a cada família.

Chegamos mais longe

Em 2025, o desejo de ampliar a atuação do IC ganhou forma. A expansão para novas cidades foi resultado de um processo cuidadoso de articulação, escuta e construção conjunta, sempre em diálogo com organizações locais e com a rede socioassistencial, para garantir que cada iniciativa fizesse sentido em seu território.

Em Taubaté, após anos de diálogo e mobilização de parceiros, iniciamos a atuação em parceria com o Projeto Hapet, que desenvolve ações psicossociais e pedagógicas com crianças e adolescentes. A partir dessa colaboração, passaremos a acompanhar as famílias atendidas pela organização, fortalecendo o cuidado de maneira integral. Atualmente, contamos com duas pessoas na equipe local e seguimos avançando na articulação com os equipamentos da rede. Os atendimentos têm início previsto para 2026, com a meta de acompanhar 100 famílias ao longo do ano.

Em Porto Alegre, a expansão acontece em parceria com o Instituto Mari Johannpeter, no bairro Restinga. O trabalho será voltado às famílias que já participam das atividades do Instituto Mari. As vagas já foram abertas e o processo de contratação começa em janeiro. O planejamento, o diagnóstico do território e os treinamentos serão realizados no início do ano, com previsão de início dos atendimentos entre março e abril. A meta é acompanhar 100 famílias até o final de 2026.

Em São Paulo, a Cyrela apostou na metodologia do Instituto C para oferecer cuidado integral a seus funcionários e familiares. O projeto piloto foi estruturado em dois contextos complementares. Um deles envolveu o atendimento das famílias no Polo Zona Norte. O outro levou o cuidado diretamente para o ambiente de trabalho, com atendimentos em psicologia e serviço social realizados nas obras.

No Polo, a equipe técnica realizou atendimentos em assistência social, psicologia, pedagogia, geração de renda e nutrição, orientando cada família de acordo com suas necessidades. Esse trabalho fortaleceu vínculos e reafirmou o compromisso do projeto com acessibilidade, escuta e cuidado integral.

Já nas obras, foi implantado um modelo de cuidado psicossocial em contexto laboral. Nesse espaço, identificamos que muitos trabalhadores enfrentavam fragilidades emocionais, insegurança alimentar e dificuldades de acesso a direitos.

Ao todo, 496 pessoas foram impactadas, e realizamos encaminhamentos formais para serviços da rede pública de saúde, assistência social e do sistema de garantia de direitos. A experiência trouxe aprendizados importantes e reforçou nosso compromisso com um cuidado qualificado, capaz de gerar efeitos concretos na vida das pessoas.

Ocupamos espaços

Defender a infância também é parte central da nossa missão. Em 2025, atuamos para conscientizar sobre a importância do cuidado na primeira infância, garantindo que crianças cresçam em ambientes saudáveis e com plenas oportunidades de desenvolvimento. Em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, participamos da campanha Agosto Verde, que promoveu debates relevantes sobre essa fase da vida. No mesmo período, relançamos uma cartilha voltada a responsáveis e profissionais do cuidado, abordando temas essenciais do desenvolvimento infantil.

Neste mesmo caminho, Vera Oliveira, diretora executiva do IC, participou do Programa de Liderança Executiva em Desenvolvimento da Primeira Infância, iniciativa do Núcleo Ciência pela Infância voltada à formação de lideranças comprometidas com a transformação das políticas públicas no Brasil. Vera também integrou o curso Global Leadership and Public Policy for the 21st Century, do programa Young Global Leaders, para o qual foi selecionada em 2024. A formação reuniu 65 líderes de diferentes setores, como política, terceiro setor e startups, para discutir os desafios da liderança no século 21 e como ampliar seu impacto no mundo.

Para o IC, estar presente nesses espaços é uma oportunidade de troca de conhecimento e experiências muito potente. “Esses ambientes em que a gente está como pessoa física, mas também como organização, favorecem muito na construção de políticas públicas mais favoráveis para o cidadão. E coloca o instituto num lugar de articulação com os outros órgãos, seja do governo ou de outras organizações”, reforça Vera. 

A Paloma Costa, nossa gerente de relacionamento institucional, também é uma pessoa que representa o IC na defesa dos direitos das crianças. Ela faz parte do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e conta que fazer parte de um conselho dessa relevância faz a diferença. “Para o Instituto C, essa presença é essencial, amplia nossa visão, qualifica nossa atuação e nos coloca em um espaço onde podemos defender, com embasamento e legitimidade, as necessidades das famílias que atendemos”, conta.

Um ano de muitos sonhos realizados 

Pensar na trajetória do IC neste ano nos enche de orgulho, tivemos conquistas que sonhamos por muito tempo. Completamos 14 anos e, com isso, vieram muitos presentes. Um deles foi estar em rede nacional pela primeira vez no Domingão com Huck e pouco tempo depois receber a notícia de que tínhamos sido selecionados para o Criança Esperança. 

Conquistamos selos e certificações que reforçam a seriedade do nosso trabalho. Pela 9ª vez consecutiva estivemos entre as 100 Melhores ONGs do Brasil, fomos reconhecidos com o Selo Amigo da Pessoa com TEA, com o Selo de Direitos Humanos e também de Igualdade Racial, e cada um deles representa os pilares que trabalhamos durante todos esses anos. Além disso, também recebemos o CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), certificação que reconhece oficialmente o trabalho que realizamos nessa área. 

Muita coisa aconteceu, e tudo isso por consequência da dedicação de cada pessoa que se dedicou a apoiar o IC e as famílias que atendemos. Nesse momento, lembramos também da nossa equipe, parte essencial desse crescimento e de cada conquista alcançada. 

E em 2026, queremos continuar crescendo e colhendo os frutos deste ano tão valioso. Tem bastante coisa para acontecer, mas estamos preparados para essa nova fase e ansiosos para atender mais famílias e multiplicar o cuidado. 

Para encerrar esse ciclo especial, o diretor administrativo Diego Schultz deixou uma mensagem para a equipe. “Meu agradecimento sincero a essa equipe incrível, que se dedica todos os dias à missão do Instituto C e faz a organização acontecer, mesmo diante dos maiores desafios. É graças a esse compromisso coletivo que seguimos em frente, crescendo, aprendendo e ampliando nosso impacto”.

Para relembrar esse ano tão intenso e cheio de conquistas, assista ao nosso vídeo de 2025 e percorra com a gente os caminhos que o cuidado ajudou a transformar.

Direitos

Direito de sonhar nas periferias: barreiras sociais não devem impedir um sonho

O fim de um ano chega como um verdadeiro respiro e um lembrete de que devemos sonhar e renovar os nossos desejos para o próximo ciclo. Sonhar é como um combustível para que a gente continue acreditando que a vida pode nos trazer coisas boas. Mas para quem vive nas periferias, ter essa perspectiva se torna mais difícil quando existem outras preocupações no caminho.

No Instituto C, nós trabalhamos em conjunto para que famílias periféricas possam continuar sonhando e também realizar esses desejos. É importante que elas não apenas sobrevivam em meio a correria do dia a dia, mas também consigam idealizar e conquistar o que querem, e com conhecimento sobre direitos e direcionamento, esse caminho fica menos tortuoso. 

Mais acessibilidade, oportunidade de estudar e conquistar bens próprios fazem parte dos sonhos de muitas famílias. Pensando nisso e pela perspectiva de moradoras da periferia de São Paulo, a Thais Gomes e a Nicolie Barbosa, estudantes de Design da PUC-SP, foram atrás de responder a pergunta “o que é sonhar na periferia?” e conversaram com mães e crianças atendidas no Polo Zona Norte do IC, que nos emocionaram com cada resposta.

Como moradoras da periferia, Thais e Nicolie sempre viveram a dualidade de resistir e sonhar em meio ao caos, por isso surgiu a ideia de trazer esse tema para o trabalho. Nossa ideia de TCC surgiu de uma conversa que tivemos no ano passado, em que falamos sobre como éramos privilegiadas por poder sonhar mesmo diante da realidade em que crescemos, na periferia — e como muitas pessoas na mesma realidade não têm essa oportunidade”, conta Thais.

Para a Nicolie, estudante da PUC pelo Programa Universidade para Todos (PROUNI), essa foi uma forma de devolver a vontade de sonhar para quem mora em regiões periféricas. “Sempre digo que o lugar onde nasci, o Capão Redondo, é uma fábrica de sonhos. Somos uma juventude sonhadora que enxerga esperança além do nosso local de origem. Eu carrego essa esperança comigo, mesmo diante das adversidades que enfrentei até chegar a faculdade”, conta.

Como é sonhar com a mente em vários lugares?

Concretizar um sonho é um momento que deve ser celebrado, mas isso significa coisas diferentes para cada pessoa. Para muitas mães, o sonho tem o rosto dos filhos: mais segurança, educação, saúde e oportunidades que elas mesmas não tiveram. Mesmo nos momentos em que podem usar a imaginação de inúmeras formas, elas seguem pensando em sonhos que trariam bons momentos para todos ao seu redor. E para muitas crianças, o sonho é a janela por onde enxergam um mundo que vai além das ruas estreitas que conhecem.

Na periferia, sonhar não é apenas um exercício automático do dia a dia. É também uma construção feita aos pedaços: recortes de desejos e pequenas vitórias. Por isso, a atividade proposta pela Thais e pela Nicolie foi que as famílias fizessem colagens com imagens que representassem seus sonhos. Ali, a imaginação fluiu e surgiram recortes de viagens, carros, motos e até a cura de doenças que afligem suas vidas. 

Diante de uma rotina pesada, esse imaginário é o que ajuda a sustentar a esperança e cria novas possibilidades. Embora não devesse ser dessa forma, ter um tempo para sonhar às vezes se torna um privilégio, e é isso que fortalece as famílias em diferentes frentes: ajuda a enxergar caminhos onde a vida real ainda não chegou, cria autoestima e coloca a pessoa no centro da própria história, e reconstrói o sentido de futuro, que geralmente é desgastado pela falta de oportunidades.

Estudar: um sonho das crianças e dos adultos

A rotina corrida de cuidado com os filhos faz com que muitas mães não consigam tempo para realizar os próprios sonhos. Quando questionadas, muitas delas falaram sobre a vontade de concluir os estudos e cursar uma graduação, assim como a Vilma, que contou que esse é um de seus sonhos: “eu tenho muita vontade de fazer uma faculdade, mas nunca tive um empurrãozinho. Pra mim, é o maior sonho da minha vida”. 

No olhar das crianças, o sonho também se torna uma forma de pensar na mudança de vida para elas mesmas e para a família. Elas carregam em si a vontade de transformar a realidade a partir de uma profissão, e felizmente algumas delas já sabem o que faz seu coração bater mais forte: “salvar vidas. Ser médico”, esse é o sonho do Alan. 

Direito de sonhar

Na infância, a imaginação vai para lugares dos mais diversos, é nesse momento que o mundo se torna um lugar de infinitas possibilidades. Mas quando limitações são colocadas, é como se uma barreira fosse construída entre aquela criança e tudo que ela ainda pode ser

Assim como o Alan, muitas crianças sonham em seguir profissões que fazem seus olhos brilharem, mas atingir  esses sonhos só é possível quando existem condições para realizá-los. Educação de qualidade e um espaço seguro para se desenvolver plenamente é direito de toda criança, e devemos lutar para que isso se concretize.

Os adultos também precisam desse combustível para continuar acreditando que seus desejos podem se tornar realidade. “Eu acho que sonhar nunca é tarde”, reforça Cristiane, mostrando que para sonhar não tem idade certa, e precisa somente das possibilidades e oportunidades para que se torne real.

Sonhos que inspiram

Thais, que vive próximo da Brasilândia, onde fica nosso polo da Zona Norte, conta que a troca com as mães e com as crianças foi muito rica para ampliar sua perspectiva sobre sonhar, essa ação que, por mais simples que seja, também muda realidades. “Para mim, foi uma experiência muito transformadora: poder escutar as histórias de outras pessoas, perceber como o sonho é algo simples e otimista no olhar das crianças, e como ele também permanece vivo nas mães”, reforça.

Já a Nicolie, reconhece que seus sonhos são o que movem também a esperança, e contar os sonhos de outras pessoas é uma forma de ver a realidade das periferias de diferentes perspectivas. “Foi emocionante ver como todos olhavam para cima quando falavam de sonhos e como seus olhos brilhavam durante as colagens. O vídeo final é só um pedacinho do que foi essa experiência. O maior impacto está no que o processo trouxe para nós e para quem participou dele”, lembra a estudante.

Para conhecer mais sobre o trabalho da Thais e da Nicole e entender como os sonhos podem ser uma ponte importante para quem vive na periferia, clique aqui e assista o vídeo completo com os depoimentos de algumas mães e crianças atendidas pelo IC.